À descoberta do românico

A Rota do Românico é um dos ex-líbris nacionais, mas existem pontos naquela que costumam ficar fora das explorações mais tradicionais da rota. Dê uma vista de olhos na nossa listagem de propostas alternativas para descobrir o românico de modo original!

O românico é um dos estilos arquitectónicos que caracterizam e definem a Idade Média portuguesa, conservada em todas as construções que se foram espalhando para o sul conforme o país ia crescendo e conformando-se na expansão sobre os velhos territórios muçulmanos. Ligado a uma visão militar e monacal da vida, é a arte que costumamos relacionar com castelos, mosteiros e igrejas, e que pelo próprio avanço das tropas portuguesas ao longo de vários séculos, deixou um rasto maior e mais visível no Norte, porque já o seu influxo descia quando Portugal terminou a sua expansão territorial peninsular.

Não é, pois, possível compreender o nascimento de Portugal sem olharmos para o românico. A região Norte e o património arquitectónico que enfeita as suas colinas faz parte da mitologia à volta do nascimento nacional de Portugal: os nobres que ocupavam aqueles castelos foram os que comandaram o esforço da reconquista para o sul, e as ordens religiosas que tentavam reconverter ao cristianismo as populações reconquistadas fizeram a sua tarefa através de locais de culto construídos conforme a fronteira crescia: mosteiros, igrejas e monumentos religiosos que visavam mostrar a glória da cristandade.

    O românico português conserva-se especialmente vivo num triângulo maravilhoso que surge entre três pontos que têm uma coisa em comum: o facto de todos eles serem Património da Humanidade pela sua beleza: o Vale do Douro, o Porto e Guimarães. Entre estes três locais existem três rotas distintas que costumam ser consideradas com o nome comum de Rota do Românico, mas as três denominações que estão mais correctas são a Rota do Vale do Sousa (19 monumentos), a Rota do Vale do Douro (14 monumentos entre os quais Castelo de Paiva) e a Rota do Vale do Tâmega (que totaliza 25 monumentos).

    Mas há quem não goste da possibilidade de visitar este tipo de rotas: acha que são aborrecidas, repetitivas e idênticas. Vista uma, vistas todas. Mas não é uma realidade se falarmos do românico português: uma visão integral do turismo criou uma forma distinta de aproximar-se deste tesouro cultural, patrimonial e histórico de uma perspectiva original e diferente. O românico nacional é hoje uma jóia acessível para  públicos diversos, com oferta variada e apenas um intuito: dar a conhecer a todos os portugueses os mistérios, a beleza e a grandeza do seu românico. Venha connosco e fique sabendo as formas mais originais de enfrentar esta (re)descoberta histórica!

    O Românico a golpe de golfe em Amarante

    Talvez não seja o plano turístico mais tradicional, mas em Amarante pode experimentar a rota do românico de modo distinto e divertido. A começar pela visita a Torre do Vilar de Lousada, uma clássica torre de senhor feudal que estabelecia o seu domínio territorial sobre servos e senhorios sediado aqui, nesta antiga casa forte do território de Tâmega e Sousa, construída na segunda metade do século XIII, isto é, já na agonia do românico.

    Perto, pode desfrutar da actividade oferecida pela Rota do Românico no campo de golfe de Amarante, com vistas espectaculares para as serras da Aboboreira e do Marão, graças à sua posição privilegiada: os seus 600 metros sobre o mar numa paisagem de montanha concorrem para uma atmosfera de paz e calma onde desfrutar tranquilamente dos seus 18 buracos: um desafio que o impedirá de ficar aborrecido.

    As Termas de Aregos, o spa dos Reis

    Estes balneários termais aquecem a rota do românico há mais de 800 anos. As primitivas termas surgiram a partir da albergaria que ordenou construir a rainha D. Mafalda de Portugal no século XII; conhecedora do poder curativo destas águas. Desde então são muitos os balneários que tem aparecido para continuar aquela herança.

    Os pacotes turísticos costumam ter preços acessíveis e convidam a vir conhecer a zona e o poder relaxante dos seus banhos. Aliás, nas proximidades encontramos três grandes jóias do românico local: a Igreja de São Cristóvão de Nogueira de Cinfães, a Igreja de Santa Maria de Meinedo em Lousada e a Igreja de São Mamede de Vila verde em Felgueiras.

    Não hesite em experimentar outra actividade inesquecível na travessia do Douro na barca de Aregos. Este passeio evoca as passagens do rio que os primeiros reis do país disponibilizaram às pessoas pobres daquela altura, chamadas “barcas de por Deus”, que levavam aquelas pessoas até à primitiva albergaria.

    Caldas de Aregos

    Aldeia de Quintadona: onde o tempo já não acordou

    Há locais que semelham ter ficado detidas no tempo, como se a história tivesse decidido num dia apartado deixar de passar por lá. Tal é o caso da aldeia de Quintadona, na freguesia de Lagares (Penafiel), um local que tem sabido desenvolver as suas potencialidades turísticas: a beleza de uma aldeia típica preservada quase perfeitamente, apesar da sua proximidade dos grandes centros urbanos (proximidade que concorre para a sua fortaleza turística, ao fim e ao cabo). Formosíssima aldeia de pedra de lousa e xisto envolta por uma paisagem florestal e agrícola, a aldeia de Quintadona oferece uma experiência turística completamente diferente à tradicional rota.

    Surpreende a hegemonia do xisto na construção da zona, uma vez que é o granito a rocha mais abundante na proximidade. Percorra as suas ruas calmas e o caminho que leva ao Monte da Pegadinha para contemplar uma das melhores vistas da zona naquele miradouro natural. Não deixe, ao regressar, de experimentar a gastronomia da aldeia, dominada pelo presunto e os enchidos de cabrito assado e porco, mas direccionada também para o arroz do forno e as sobremesas mais deliciosas como as típicas tortas de Penafiel. Uma visita não apta para quem quiser estar no seu melhor em Agosto na praia.

    O Românico dos Sabores

    A Rota do Românico oferece uma forma distinta de descobrir a zona através dos seus sabores e do tesouro imortal da gastronomia. Os aromas do campo e dos doces fazem parte de modo insubstituível desta rota e com este programa é possível aproximar-se deles com originalidade. Na Casa senhorial de Juste pode experimentar os workshops de doces e compotas direccionados para a difusão da gastronomia tradicional da região que captura no prato todo o charme que envolve esta terra de florestas, campos e aldeias caladas.

    O românico e o amor

    Uma forma de desfrutar do turismo é com a pessoa que nos importa. A Casa Valixto de Penafiel situa-se numa zona privilegiada, um autêntico dédalo de restos românticos que compreende, nas proximidades, a Igreja do Salvador de Cabeça Sana, a Igreja de São Gens de Boelhe ou a Igreja de São Pedro de Abragão. Desfrute também de um piquenique com o bucólico pano de fundo da praia fluvial de Luzim e um jantar romântico na própria casa.

    Não se esqueçam na sua visita da Quinta da Aveleda de Penafiel, onde experimentar o bom vinho regional e contemplar a beleza dos seus jardins enfeitados pelos follys, aquelas excêntricas estruturas decorativas que apenas exaltam a paixão de construir. Um passeio para dois por este vergel apresenta em frente aos seus olhos uma paisagem de mais de 300 anos onde o passeio desvenda raras espécies arbóreas como o cedro japonês ou o cipreste dos pântanos, bem como a sequóia. Uma janela para um mundo verde e fantástico.

    O que acha destas propostas para conhecer as regiões do românico português? O que incluiria você?