Salinas do Samouco:  Santuário para Homem e natureza

O complexo das Salinas do Samouco encontra-se aberto ao público um fim-de-semana em cada mês

O sal está presente desde sempre na vida dos Homens, como símbolo religioso, moeda, fonte de poder e motivo de conflitos. Em Alcochete a exploração do sal é constante desde, pelo menos, o séc. XVII e faz parte de uma íntima relação que aquela povoação estabelece com a natureza.

Quando o corredor Montijo-Sacavém foi escolhido para a segunda travessia sobre o Tejo, atravessando assim as antigas Salinas do Samouco, foi decidido criar uma área protegida de conservação da natureza. Nestes 360 Ha iniciou-se um projeto que é um verdadeiro santuário tanto para as espécies que ali vivem e passam, como para os amantes da natureza que, tão perto de Lisboa, podem encontrar um local de beleza e características únicas.

Olhos bem abertos

O complexo das Salinas do Samouco encontra-se aberto ao público um fim-de-semana em cada mês (veja o calendário no site Salinas do Samouco), altura em que podemos usufruir de uma visita guiada que nos irá dar a conhecer a avifauna, os burros mirandeses e o salgado, focos principais de atenção. A marcação pode ser feita até ao dia anterior e, na recepção, iremos encontrar binóculos à nossa espera e um amigável monitor, bem conhecedor das atividades das aves da região.

Encaixado na etapa final do Tejo, este é um ponto fundamental para espécies migratórias que aqui passam no caminho para novas paragens. Assim, há aqui uma estação de anilhagem onde algumas das mais de 170 espécies que já foram avistadas, são registadas e estudadas. Poderemos assistir a perdizes, patos-trombeteiros, mochos galegos, papa-moscas, corujas, nos seus rituais diários, e, se repetirmos a visita ao longo do ano, a sucessão de novas espécies que chegam, descansam e partem.

Salinas do Samouco - Quilometros que contam

 “O sal da vida”
Quando os mais pequenos da família já começam a dar sinais de cansaço, é hora de parar e visitar os “burritos da fundação”. Há aqui um pequeno grupo de burros mirandeses, espécie em vias de extinção, que fazem a delícia de todos os visitantes, com os seus ternurentos olhos negros. Nesta parte da visita, o mais difícil é convencer as crianças a voltar ao caminho…

Entre julho e agosto, o visitante pode participar na “rapação do sal”, o momento em que, com alguma paciência e saber, os trabalhadores das salinas cumprem a magia de fazer aparecer pequenos montes de sal. É uma tarefa recompensante mas árdua, por isso não se esqueça de incluir chapéu, protetor solar e repelente de insectos, para além de um confortável par de sapatos para três horas de caminhada.  No final da visita, não se esqueça ainda de passar pela recepção e trazer um saco de flor de sal, condimento que fará as delícias de qualquer amigo gourmet.