O que fazer antes de contratar um seguro automóvel?

O que deve saber antes de subscrever o seguro automóvel? Quais são as coberturas obrigatórias? A que deve estar atento quando as companhias lhe pedem algo?

O seguro do carro é obrigatório para quem quer circular – e até mesmo deixar o carro estacionado em espaços públicos. As multas pela ausência de seguro automóvel são elevadas, variando entre os 500 e os 2500 euros. Por isso, e porque o seguro morreu de velho, importa acautelar a sua carteira, protegendo os outros (seguro responsabilidade civil, obrigatório por lei, mais conhecido o “seguro contra terceiros”) e protegendo-se a si também quando opta antes por um seguro de danos próprios (o “contra todos”, mais caro, mas também com mais coberturas.

Como a linguagem “segurez” é por vezes difícil de compreender, compilámos algumas informações relevantes. Incluímos os documentos necessários para contratualizar um seguro, a definição dos principais tipos de seguros automóvel, algumas das coberturas que existem, remetendo-o ainda para sites onde pode consultar preços.

Que tipos de seguros automóvel existem?

No essencial, os seguros automóvel são de dois tipos: o seguro automóvel obrigatório e o seguro de danos próprios. Além do preço, estes dois tipos de seguro não-vida distinguem-se por outras características.

O Seguro Automóvel Obrigatório é, como o próprio nome indica, obrigatório e abarca um conjunto de coberturas mínimas. Este seguro – formalmente de responsabilidade civil – no dia-a-dia contra terceiros. Este tipo de seguro cobre as indemnizações por danos materiais ou corporais causados a terceiros bem como às pessoas transportadas, com exceção do condutor. Atenção que este seguro exclui coberturas como as lesões no condutor, no seu veículo, acidentes resultado de negligência. Além de consultar simuladores deverá sempre aconselhar-se com profissionais dos seguros.

Um seguro mais abrangente é o Seguro de Danos Próprios, vulgarmente conhecido como “seguro contra todos os riscos”. Apesar deste nome informal, é importante sublinhar que não são de facto todos os riscos, mas si todos os que estão contemplados na apólice. Naturalmente, quanto mais coberturas maior o prémio e outras despesas relacionadas com o seguro. Neste caso, o seguro já cobre danos na viatura própria, despesas de tratamento do condutor e outras coberturas, na sua maioria opcionais, incluindo quebra isolada de vidros; assistência em viagem; apoio jurídico; viatura de substituição; entre outras.

No momento da escolha não se esqueça que o preço não é tudo. O nível de serviço também deve ser colocado nos pratos da balança para fazermos uma escolha consciente.

O que fazer antes de comprar um seguro automóvel?

Como em qualquer compra, especialmente as de maior valor, importância ou obrigatoriedade, é fundamental começar por comparar as ofertas. Deverá ter em conta os riscos que pretende acautelar e procure viajar mentalmente para um futuro hipotético em que sofre determinado sinistro. Se chegar ao carro e tiver o vidro partido, talvez tivesse sido vantajosa a cobertura de quebra isolada de vidros.

seguro do carro

Que documentos tem de apresentar quando contratualiza um seguro automóvel?

Para contratualizar um seguro automóvel válido em Portugal, deve levar consigo um simpático volume de documentos. Para começar os seus documentos pessoais válidos, a saber o Cartão de Cidadão ou o Bilhete de Identidade e também a Carta de Condução.

Já do carro, vai ter de apresentar o Documento Único Automóvel (DUA) ou o Livrete. Toda a documentação deve estar em dia, incluindo o título de registo de propriedade do veículo e, caso necessário – para automóveis mais antigos – o Certificado de Inspeção Periódica Obrigatória.

O que fazer quando tem um carro novo ou pretende mudar de seguradora?

Quando pretende contratualizar um seguro com uma nova seguradora ou mediadora, por exemplo quando têm um novo veículo, além dos documentos já mencionados, deverá munir-se dos dados da apólice anterior. No entanto, se não tiver esses documentos, não se preocupe. A própria seguradora poderá aceder a essa informação através um repositório de dados disponibilizados àqueles profissionais.

No entanto, há sempre a necessidade de pedir à antiga seguradora um certificado histórico do seguro automóvel, através do qual pode fazer-se uma análise do registo de acidentes e eventuais problemas ocorridos durante o contrato anterior.

Porque é tão importante simular?

Os seguros automóveis não são todos iguais e variam muito de seguradora para seguradora, de mediadora para mediadora. Simular é incontornável quando procura a melhor solução para o seu caso. Um exemplo de simulador – atualmente há tantos que a dificuldade é escolher um – é disponibilizado pela Defesa do Consumidor. Além de simular é importante certificar-se que a renovação automática é uma boa opção. Apesar da comodidade no momento da renovação, a escolha pode, entretanto, ter deixado de ser a mais vantajosa para si.

Quais são as consequências de não ter seguro?

Não pagar o seguro, per se, não tem grande impacto, desde que tenha o cuidado de deixar o seu automóvel numa garagem ou terreno privados. A partir do momento que começa a circular ou se estacionar no espaço público é que começam os potenciais problemas e não precisa envolver-se em qualquer sinistro.

Circular sem seguro significa, antes de mais, que está em incumprimento, porque o seguro contra terceiros é obrigatório por lei. Por esse motivo, pode ser multado apenas por ter o carro estacionado à porta de casa em espaço público. Atenção que a coima pode variar entre os 500 e os 2500 euros, o veículo pode ser apreendido e poderá também ficar inibido de conduzir temporariamente. Mais grave ainda, não está protegido em caso de sinistro. Sem seguro, a seguradora não o apoia em nada. E terá de ser o próprio a arcar com o pagamento de todas as despesas do seu bolso. E não adiante pedir para pagar o montante em falta para trás. A seguradora não vai aceitar.

Que documentos tem de ter consigo quando circula?

Em primeiro lugar, além dos documentos necessários para a contratualização do seguro (Cartão de Cidadão/Bilhete de Identidade; Carta de Condução, (DUA)/Livrete, certificado de inspeção periódica obrigatória, quando de aplica) deverá ter ainda o Título de Registo de Propriedade do veículo e um exemplar da Declaração Amigável de Acidente Automóvel (DAAA). Este site apresenta uma síntese detalhada da documentação necessária.

Em viagem no estrangeiro, deverá munir-se de uma Carta Verde ou Certificado Internacional de Seguro Automóvel válida em Portugal e nos países aderentes à Convenção Multilateral de Garantias, acompanhado do comprovativo de pagamento do prémio ou do certificado provisório.

Em caso de acidente deve ter, no local do sinistro, todos estes documentos e também o nome do segurador e o número da apólice, que pode consultar no vidro da viatura). Após o acidente, os envolvidos deverão preencher a Declaração Amigável de Acidente Automóvel, que têm obrigatoriamente de possuir.

Não obstante a obrigatoriedade de colocação no veículo, o dístico do seguro não serve como prova da existência de seguro. Serve apenas para facilitar a fiscalização e identificação. As tecnologias de informação permitem-nos, atualmente fazer as participações dos sinistros online. Por último: em viagem no estrangeiro, as coberturas facultativas não são habitualmente válidas. Em caso de dúvida deverá consultar a seguradora e, eventualmente, solicitar a extensão territorial das coberturas temporariamente.