Sinais de luzes: etiqueta ao volante ou está na lei?

Quais são as regras de boa educação? Qual é a etiqueta ao volante? E o que diz a lei sobre usar os sinais de luzes?

“Porque é que aquele carro piscou as luzes?”, perguntei ao meu pai um dia na estrada sobre um automóvel que vinha em sentido contrário. A resposta foi imediata. “Para avisar que acabou de passar por uma brigada de trânsito e para abrandarmos, se fossemos em excesso de velocidade”. Pouco depois lá estavam os polícias. Fiquei fascinado. Não está no Código, mas é um sinal que passa de geração em geração. Raro será o condutor que vai continuar em excesso de velocidade se pensar que há um GNR ao virar da esquina. Mas para que serve cada tipo de luz do automóvel e quando devem ser de facto utilizadas em segurança? Saiba mais sobre as regras de etiqueta no uso dos sinais de luzes.

Utilizar os máximos ou as luzes de nevoeiro quando não são necessárias estão entre os erros mais irritantes e perigosos. Muito mais do que uma simples falta de educação são situações ilegais e que, no limite, podem levar à inibição de condução.

Luzes diurnas e mínimos: para ser visto

Quando se circula na estrada, é preciso ver e ser visto, mesmo de dia. E não se aplica apenas aos peões. Nos automóveis mais recentes, o problema está resolvido à partida. Os carros vêm equipados com luzes de condução diurna que, como o próprio nome indica, devem estar ligadas durante o dia. Uma utilização que se tornou obrigatória, na União Europeia, para os veículos ligeiros de passageiros e comerciais.

Estas luzes não servem para iluminar o caminho, mas para ser visto. O objetivo é indicar aos outros condutores que o automóvel está em circulação ou a preparar-se para arrancar. Em matéria de ambiente, as luzes de circulação diurna, tipicamente LED, são ainda uma alternativa aos “mínimos”, uma vez que consomem menos energia que as lâmpadas tradicionais.

Os mínimos servem para que os outros condutores identifiquem facilmente a dimensão do seu automóvel e se está em movimento. Os mínimos devem ser utilizados em zonas com fraca iluminação ou quando se está parado numa passagem de nível. Noutras circunstâncias é perigoso e mesmo ilegal, como por exemplo quando é obrigatório ter os médios ligados, ao anoitecer.

Médios: também para ver

Quanto aos faróis médios (luzes de cruzamento) devem ser utilizados a partir do momento que começa a escurecer até que o Sol começa a raiar. Estas luzes iluminam 30 metros para a frente e são obrigatórios em túneis, vias de sentido alternado, de noite e em condições meteorológicas adversas. Determinadas categorias de veículos – motos, triciclos, quadriciclos, ciclomotores, veículos de transporte de materiais perigosos e transporte coletivo de crianças têm de circular sempre sempre com os médios ligados.

Máximos: só quando estritamente necessário

Se a falta de iluminação nos impede de ser vistos, também o excesso tem o mesmo efeito. Durante a noite, os máximos ligados quando nos cruzamos com outros veículos encandeiam os outros condutores que ficam momentaneamente cegos. Além disso, revela uma falta de educação ao volante que pode culminar em acidente. O tempo de reação de quem é encadeado é diminuído, o que pode resultar em acidentes. Imagine que se está a aproximar de uma passadeira? Se encandeado, poderá não ver o peão. Ou, na estrada, poderá não ter tempo de se desviar de algum obstáculo.

Além de ser uma falta de respeito para com os outros – especialmente quando são utilizados por condutores pouco escrupulosos e vingativos –, e dos perigos que acarreta, é também uma contraordenação muito grave que pode levar à inibição da carta de condução até dois anos.

Por ser francamente perigosa a má utilização dos faróis máximos, todos os veículos têm um indicador no painel, azul, que se ilumina quando os faróis estão ligados. Os máximos devem ser utilizados apenas quando não circulam outros veículos a menos de 100 metros.

Luzes de nevoeiro: um perigo evitável

Os faróis de nevoeiro são outras luzes que a generalidade dos veículos tem e que devem ser utilizados em caso de fraca visibilidade quando as condições meteorológicas o obrigam. Utilizadas indevidamente prejudicam-nos – pois não vemos convenientemente para a frente – e prejudicam e incomodam especialmente os condutores que seguem atrás. É um perigo evitável e é também ilegal circular com estas luzes quando não está neblina ou nevoeiro.

Sinalização de perigo: para aumentar a segurança

As luzes são igualmente uma forma de comunicar com outros condutores. Assim, quando se deparar com algum obstáculo: ligue todos os “piscas” – indicadores de mudança de direção. Este sinal pode ser utilizado para alertas como trânsito parado, travagens bruscas ou outros perigos na estrada. É um reflexo que, caso não esteja, deve ser treinado.

Igualmente, além das regras de etiqueta, não deixe ainda de ter cuidados com a manutenção das luzes. Verifique regulamente se os faróis estão corretamente alinhados. Nem demasiado suaves, nem demasiados fortes. Em qualquer dos casos é preciso ver e ser visto.