Sintra, o mistério e a história

Muito perto da capital de Portugal encontra-se Sintra, onde a História assalta o visitante a cada esquina

Há locais que parecem renunciar a modernidade, como se qualquer mudança de paisagem fosse indesejada, perturbadora e, a todos os níveis, desnecessária. São vilas e cidades nas quais o tempo tem outro ritmo ou desistiu de correr, pequenas joias que cristalizam o nosso passado e onde tentamos imaginar a forma como os nossos avós, e os avós deles, viveram a sua vida.

Muito perto da capital de Portugal encontra-se Sintra, onde a História assalta o visitante a cada esquina e, às vezes, parece que ainda conseguimos ver os antigos reis a entrarem no Palácio da Vila, perene desde o século XIV. Estância de veraneio dos monarcas do país, o nobre edifício é também um marco na História do azulejo português.

Um rico passado 
O Centro Histórico, com as suas ruelas e lojas tradicionais, enfeitiça o visitante durante as longas horas da manhã. Mas, aqui tão perto, não podemos deixar de visitar o Palácio da Quinta da Regaleira, um fantástico edifício do século XIX, comprado em 1997 pela Câmara Municipal e palco hoje em dia de uma série de atividades culturais.

Cheio de símbolos de origem maçónica, podemos encontrar aqui o famoso e misterioso poço iniciático, uma galeria subterrânea com uma escadaria em forma de espiral sustentada por colunas esculpidas. Os degraus que nos levam até ao fundo do poço passam por nove patamares que invocam, na sua disposição, a Divina Comédia do italiano Dante, representando em cada patamar um dos círculos do inferno, paraíso e purgatório.

É um local fabuloso e poético, onde o o viajante pode deixar a imaginação voar, uma visita obrigatória para quem se orgulhe de conhecer Portugal.

 

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Muito perto da Regaleira fica o palácio de Seteais, edifício do século XVIII, hoje convertido em hotel. No miradouro dos seus jardins pode contemplar-se património histórico como o Palácio da Pena ou o Castelo dos Mouros. O primeiro foi eleito como uma das Sete Maravilhas de Portugal e é um dos edifícios mais visitados do nosso país. O rei-consorte Fernando II foi o responsável, no século XIX, por transformar as ruínas do convento ali construído no surpreendente local que hoje podemos visitar.

Está com fame? 
Em Sintra o passeio será intenso e, com toda a certeza, esgotante. Mas, para reconfortar o estômago e repor os níveis de açúcar no sangue, poucos locais apresentam-nos propostas com a qualidade da pastelaria sintrense. É um desafio comer só uma queijada, a mais célebre iguaria a levar o nome de Sintra além fronteiras, mas guarde apetite para um travesseiro. Dentro de um rolo de massa folhada coberta de açúcar, de preferência ainda quente, um doce de ovos e amêndoa transformam-se num manjar inesquecível. Não é exagero: há quem vá a Sintra só para comer um travesseiro.

É um lugar comum que ninguém se envergonha de repetir: Sintra tem tantos segredos para ver e descobrir que só uma visita não chega. Mas é mesmo dessa forma que deve ser apreciada: com tempo, a pé, e sempre com a vontade de repetir a visita muitas vezes ao longo da vida. Afinal, aqui o tempo parou e, no regresso, vamos encontrar sempre a mesma vila que nos apaixona desde a primeira visita.