O sonho do vinho cumpre-se em Campo Maior

Em Campo Maior, a Adega Mayor é o resultado de um sonho e de uma paixão de um homem. Mas há outra maneira de se produzir vinho?

A Adega Mayor nasce de um sonho e de uma visão. Campo Maior, região fustigada pelas inclemências do clima e pela seca, precisava deste sinal positivo. Quem ama esta terra, ama também o seu vinho e o resultado é um quinta que se exibe como um monumento à enofilia. E, além dos excelentes licores que de aqui saem, o espaço está aberto aos visitantes. Por isso, refugie-se do calor em Campo Maior com uma vista à Adega Mayor.

Rui Nabeiro é o nome com mais prestígio muitos quilómetros em redor de Campo Maior. O comendador é o homem por detrás de muitos projetos e claro que o vinho é um deles. A Adega Mayor faz parte da visão que desenvolveu para a região onde nasceu e está entre os melhores exemplos da arte do vinho. Seja no Alentejo ou em qualquer outro local do mundo, os 60 e muitos hectares de vinha desta quinta são uma visita incontornável para o enófilo.

O sonho do vinho cumpre-se em Campo Maior

Vinho no estirador de Siza

Terra de extremos, Campo Maior tem afinal tudo o que é necessário. Tem o clima, o solo e as castas alentejanas que formam o carácter e perfil dos vinhos locais. Assim, desde 2007 são aqui produzidos os vinhos Monte Mayor, Touriga Nacional, Reserva do Comendador e Garrafeira do Comendador. Desde 1997 que se processava a exploração nas Herdades das Argamassas e da Godinha, mas o conjunto ficou completo com a Adega Mayor.

A construção obedeceu ao desenho de Siza Vieira, que desenvolveu aqui o seu primeiro projeto de “adega de autor”. O resultado é um edifício que é uma referência dentro do género e uma delícia para o visitante. Experimente a vista do topo do terraço panorâmico onde vai encontrar a vinha, o olival, Espanha e a Serra. É um festival para todos os sentidos, com o branco da adega a contrastar com os tons da terra, e a prestar a homenagem à arquitetura local. Foi este conceito que fez com que a marca fosse selecionada para a exposição “How Wine Became Modern” no MoMA.

Vinho ao gosto do visitante

O espaço e o vinho prestam-se também a atividades bem energéticas. Organizam-se aqui provas de orientação, passeios pedestres e BTT, mas há também a hipótese de conhecer a herdade de um ponto de vista muito especial. A partir de um balão de ar quente a paisagem é simplesmente magnífica e inesquecível. Mais bucólica, os piqueniques na vinha são uma opção para os românticos.

As visitas podem ser personalizadas ao gosto do grupo, bastando definir previamente o que deseja. O tour passa pela adega, sala de barricas e pode incluir a degustação de vinhos e produtos regionais. Para além da visita, são também organizadas demonstrações, workshops vínicos e outros eventos que cruzam diferentes áreas.

O sonho do vinho cumpre-se em Campo Maior

Em setembro e outubro, as vindimas estão abertas ao público e são uma forma única de conhecermos esta arte. Os visitantes poderão assim ver como as uvas são colhidas à mão, despejadas para um reboque e entregues na mesa de escolha. Aí são os olhos das especialistas a ver o que vale ou não guardar. Deitam-se fora as uvas podres, verdes, todos os galhos e folhas, tudo o que não esteja perfeito estado de maturação. Os cachos são depois inseridos no desengaçador que separa os bagos e aí esmagados antes de entrarem na cuba para fermentar. É já aí que se dará o processo de pisa mecânico. O trajeto é industrial, mas feito com o preceito que estes néctares merecem.

E ainda…

A toda a volta da região de Campo Maior sobram os motivos para se comer e beber muito bem. Mesmo à saída de Estremoz, a caminho de Borba, fica a Adega de Vila Santa, enquanto a Herdade do Freixo aguarda-nos no Redondo. Os passeios de carro pela zona são de prazer garantido com propostas como a estrada entre o Redondo e Estremoz ou o percurso entre Evoramonte e Arraiolos. Pare onde parar, e a garantia de comer e beber bem é uma certeza. Afinal, o Alentejo está entre o top 10 dos destinos do enoturismo.