Spotify: hinos rock para abraçar a primavera

14 Março | 2016 | Goodyear

Se há coisa que o bom rock conseguirá sempre é emprestar a dose certa de adrenalina para tornar uma simples viagem num momento memorável. E, com as rodas no asfalto, já prontos para a primeira escapada solarenga do ano, vamos ao baú para criar uma playlist com alguns daqueles grandes temas que já conhecemos de ponta a ponta e que dançámos vezes sem conta. Chama-se a isto Rock Clássico porque há coisas que nunca saem de moda.

For What It’s Worth – Buffalo Springfield. Os Buffalo Springfield não tiveram o sucesso que haveria de estar reservado depois da sua separação para os Crosby, Stills & Nash ou para a carreira a solo de Neil Young, mas este “For What it´s Worth” já esteve em todo o lado: todos conhecemos este refrão e já serviu de banda sonora para inúmeros filmes. A toada lânguida e arrastada da batida de Martin e os harmónicos da guitarra de Young, invocam-nos longos percursos por alamedas, com a luz a penetrar por entre as folhas das árvores, um cenário completamente primaveril e muito no espírito “flower power”onde nasceu esta canção.

 Born to Run – Bruce Springsteen. Mas temos que acelerar e continuamos com a própria personificação do conceito de “clássico”: há mais de quarenta anos que o boss anda na estrada, vai regressar a Portugal para um concerto ainda este ano, e consegue agradar tanto a gerações de rockers “cinquentões”, como ser a grande influência de bandas “jovens” como os Arcade Fire. “Born to Run” é daquelas canções que cheiram mesmo a asfalto, ao desejo de seguir sempre em frente rumo ao nosso destino, um elixir perfeito para quem se prepara para uma longa viagem.

Are You Gonna Be My Girl – Jet. Agora vamos dançar sem nos levantarmos dos assentos do carro. O som dos Jet poderia muito bem ter sido criado durante o auge do garage rock e não destoaria em qualquer festival do princípio dos 70´s. Mas, mais do que repetir uma fórmula, estes australianos tiveram aqui uma excelente e viciante canção que entra directamente para o espólio dos “clássicos instantâneos”. Desafio: tente ouvir este tema sem abanar as ancas. Vai ver que não consegue.

Bad Case Of Loving You (Doctor, Doctor) – Robert Palmer. O original não é seu (a autoria é de Moon Martin), mas foi Robert Palmer a agarrar no grito “Doctor! Doctor”, a somar-lhe umas guitarras muito mais “sujas”, e transformá-lo num hit. Seriam poucas as discotecas que nos anos 80 não largavam esta “malha” quando a pista estava cheia, tendo como resposta uma multidão esfusiante a esgrimir “air guitars”. Palmer haveria de se tornar um dos ícones da MTV nos seus primeiros anos, mas esta é uma canção que fica na memória colectiva como um dos grandes momentos do hard rock.

Suffragette City – David Bowie. A missão de Bowie nunca se resumiu somente ao rock, mas temas como “Modern Love” ou este “Suffragette City”, abriram-lhe as portas para obter reconhecimento também nesse campo, numa fase em que o glam estava a ser “inventado” mas a actual ideia de hard rock estava ainda bem distante. Neste tema é a guitarra de Mick Ronson que dá o tom mas, na época, serviu para reforçar o emergente estatuto de estrela rock de Bowie. Agora, depois da sua morte, serve também como testemunho acabado de que o seu génio tinha muito de ecletismo e boa disposição.

Sharp Dressed Man – ZZ Top …e se é de hard rock que falamos, o melhor é continuarmos com quem percebe da poda. Para além do artifício das suas longas barbas, os ZZ Top merecem ser sempre recordados como inventores de riff´s inesquecíveis, dentro daquele seu género muito texano que vai buscar ao boogie e ao blues o espírito, mas que é na estrada que encontra a sua verdadeira casa. Não é por acaso que a imagem mais conhecida da banda é um hot rod: isto é música para acelerar até o ponteiro chegar ao vermelho.

Paradise City – Guns N’ Roses. “Take me down to Paradise City, where the grass is green and the girls are pretty”, marca o início das “hostilidades” e, desculpem-nos a opção óbvia, mas é um pedido que se encaixa imediatamente no espírito desta playlist. Viajamos porque sabemos que haverá sempre relva mais verde noutro sítio, que por muitos locais memoráveis que encontremos na vida, continuaremos sempre com vontade de voltar à estrada, na busca de novas aventuras.

Don’t Stop Me Now – Queen. Este single de 1979 tem um tom de desafio e orgulho que só uma personalidade vibrante como Freddie Mercury consegue levar a cabo sem mácula. “Sou um carro de corrida” ou uma “nave a caminho de Marte” são o tipo de afirmações que nos fazem acreditar que somos invencíveis. Até porque, quando temas deste calibre saem das colunas do rádio, é impossível não se sentir a energia a fluir.

 

Good Year Kilometros que cuentan