De Bragança a Vinhais: Rota da Terra Fria Transmontana

Através da Rota da Terra Fria Transmontana ficamos a conhecer o nordeste do país. De Bragança a Vinhais são 455 quilómetros por caminhos tradicionais.

A Rota da Terra Fria Transmontana atravessa os municípios de Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso e Vinhais. É nesta zona que melhor se fica a conhecer o nordeste do país. A Rota prolonga-se por 455 quilómetros de caminhos por entre o que de mais tradicional tem Portugal, incluindo, naturalmente, a gastronomia local. Assim, venha daí para um passeio pelo verão transmontano, e refresque-se nesta rota pela Terra Fria.

Prepare-se para ficar pelo menos cinco dias e ficar a conhecer uma das mais desconhecidas regiões do país. Para nos facilitar a vida, uma associação de municípios transmontanos  promove uma rota marcada que nos ajuda a descobrir os tesouros mais bem guardados da zona.

Portal da Rota

Antes de mais nada, o portal da rota www.terrafria.pt é um excelente ponto de partida a sua visita. Bem elaborado e recheado de informação, é aqui que pode planear a sua viagem e tomar o primeiro contacto com os aspetos mais singulares de cada um dos lugares. No entanto, é deixado o alerta: “não se pode conhecer uma terra sem nunca a ter visitado”, por mais que se fale e escreva sobre a região.

Seja como for, o Portal sugere onze Portas do Troço, cuja a ordem de visita fica absolutamente ao seu critério. Em cada uma das cinco sedes de concelho irá também encontrar Portas da Rota. São, em suma, espaços preparados para o conhecimento, convívio e animação, nas quais irá encontrar informações sobre tudo o que há para visitar, para fazer ou onde comer. Por isso, consulte os quiosques localizados nas Portas dos Troços e a sinalização, painéis de estrada e informação geral.

Bragança

Pode começar por Bragança. É a capital de distrito mais a nordeste de Portugal Continental. A cidade foi fundada pouco tempo depois da independência de Portugal, em 1187, com o objetivo de instituir um centro regional na periferia do reino. A cidade tem aproximadamente 22 mil habitantes no perímetro urbano.

A não perder na cidade é a visita ao castelo da cidade, um dos mais antigos e bem preservados do país, mas que acompanhou os tempos, dispondo de cafés e restaurantes para gáudio de todos nós.
Das muralhas é possível ver as serras de Montesinho e de Sanabria (a norte), a de Rebordões (a nordeste) e a de Nogueira (a oeste). As primeiras doações destinadas à construção da fortaleza remontam a 1188, mas a fase mais marcante da construção terá sido no reinado de D. João I, o primeiro rei da segunda dinastia. O monumento nacional é composto por uma imponente torre quadrangular, de dois pisos, com torreões circulares nos vértices. A cerca interior, que define o espaço intramuralhas, apresenta uma planta quase circular. A Torre da Princesa é outro ponto a não perder.

Uma cidade moderna

Visto que as cidades vão evoluindo, a arte urbana também já é um marco em Bragança. O artista Bordallo II já tem pelo menos duas obras impressas nas paredes de uma das mais movimentadas ruas da cidade: uma doninha e um camaleão. O conjunto “Camuflagem Urbana”.

Em primeiro lugar pode optar por ficar na cidade, que funciona no fundo como um ponto de partida para esta viagem. Pode então seguir rumo ao Douro Internacional e ao Planalto Mirandês chegando a Vimioso e depois a Mogadouro.

Vimioso

Um dos traços comuns a muitas destas terras é a vista sobre Espanha. No Vimioso, pode visitar a Atalaia do Vimioso, uma torre de planta circular possivelmente articulada com o Castelo do Vimioso. Do local é possível apreciar uma vasta área até à fronteira de Espanha. A norte da Atalaia – uma estrutura com seis metros de altura e oito metros de diâmetro – existe um “um afloramento granítico que suporta diretamente parte da torre”.

Miranda do Douro

Mais uns quilómetros e chega a Miranda do Douro, uma cidade habitada desde a idade do Bronze e foi importante no tempo dos romanos. Segundo o portal da rota, “Miranda é uma referência cultural, social e religiosa de Trás-os-Montes e é um símbolo secular da vontade lusitana em terras fronteiriças”.

A cidade antiga deve ser cuidadosamente visitada, incluindo as ruas estreitas. Destaca-se a Costanilha, um alfobre de casas quinhentistas particularmente interessante. O portal recomenda ainda a visita à catedral e, à saída, repare nas ruínas do antigo Paço Episcopal e, mais adiante, na igreja do antigo Convento dos Frades Trinos, atualmente Biblioteca Municipal. E parta para o próximo ponto da viagem.

Mogadouro

Os castelos são uma constante nesta região transmontana. E a Vila de Mogadouro, com apenas 3500 habitantes, também tem o seu quinhão. Subsiste uma torre de mensagem dionisina de elevadas proporções e restos da alcáçova, como refere o site Visit Portugal. Em seguida, rume depois para norte, rumo a Vinhais.

Vinhais

Vinhais tem origem em tempos remotos. Uma via militar construída pelos romanos ligava Braga-Chaves-Astorga e passava perto do local onde se situa hoje Vinhais. É dessa época a Ponte de Rauca. Tal como Bragança a vila foi fundada por D. Sancho I, num local que já era anteriormente utilizado pelos romanos para vigiar a região. A vila foi fortificada no século XIV por D. Dinis. Entre os pontos de interesse na vila estão a Igreja de São Facundo e o Convento de São Francisco. Por outro lado, na gastronomia destacam-se os enchidos.

Imperdível é o Parque Biológico de Vinhais, no Viveiro Florestal de Prada e incluído na Serra da Coroa. Fica a escassos três quilómetros do centro de vinhais e em pleno Parque Natural de Montesinho, a sua próxima paragem.

Parque Natural de Montesinho

Vinhais é também a porta de entrada para o Parque Natural de Montesinho, entre Bragança e Puebla de Sanbria, com o místico Rio de Onor pelo Meio. No Parque poderá optar por ficar numa das muitas ofertas de turismo rural disponíveis. A A. Montesinho e a Turismo de Natureza são dois operadores locais que pode contactar.

Aldeia de Montesinho

É também neste Parque Natural que vai encontrar a aldeia homónima de Montesinho. Fica a norte de Bragança, na fronteira com Espanha, e partilha o nome com o Parque e com a serra . A Aldeia dispõe de casas de granito, com telhados de lousa e varandas de madeira. Não deixe de visitar a barragem da Serra Serrada, uma paisagem inesquecível. Aproveite para caminhar, descubra a Igreja de Montesinho, o Núcleo Interpretativo e o Museu.

Rio de Onor

Finalmente, termine a sua viagem em Rio de Onor, mais uma das portas da rota. Aquela é uma pequena aldeia do distrito que faz fronteira com Espanha. Atravessada por um pequeno rio, do outro lado é outro país. A povoação aí chama-se Riohonor. Contudo, as populações vivem e trabalham indiferentes à divisão administrativa de um ou de outro lado da fronteira.

Usam ainda um dialeto próprio – o rionorês – que faz jus à memória do seu passado e das suas tradições. Fica igualmente dentro do Parque Natural, sendo composta por casas típicas serranas em xisto com varandas deliciosas. Poderá, além disso, optar por ficar no parque de Campismo Rural de Rio de Onor.

Gastronomia

Enquanto faz esta pequena viagem aproveita para se deleitar com a gastronomia brigantina. A confeção é simples e inclui a posta de vitela mirandesa – temperada com sal e colada nas brasas. Estufados, enchidos com alheiras, chouriças, salpicões, presuntos, chouriços de mel… E ainda o típico butelo acompanhado por casulas (cascas de feijão secas) são algumas das opções. Finalmente, no outono é a vez dos cogumelos e das castanhas.

Se ainda lhe restam dúvidas que o interior guarda alguns dos melhores recantos para fugir ao calor, aventure-se estas férias pelo nordeste transmontano. Deixe-nos nos comentários as suas recomendações do que ver e experimentar na Terra Fria.

  • Rota Terra Fria Transmontana

    O endereço do portal da Rota da Terra Fria Transmontana colocado no texto está errado. O endereço correto é http://www.rotaterrafria.com
    obrigado