Vhils: notável artista português da nova geração

Guia: Vhils é o nome mais notável numa nova geração de artistas portugueses. Viaje connosco em busca das suas obras artísticas.

Olhar para uma fachada deteriorada de um prédio e imaginar que dali poderá nascer uma obra de arte não é para qualquer um. Acima de tudo, é necessária criatividade. Muita. E quem a tem? Vhils.

Antes de mais, a sua obra antecede-o. Em Lisboa, e muitas outras localizações, muitos edifícios abandonados têm vindo a ganhar vida nos últimos anos. Se é de Lisboa e não está a associar o nome à obra, basta seguir este link e começar a reconhecer fachadas em frente às quais certamente já passou.

Vhils é talvez o nome mais notável de ma nova geração de artistas portugueses. O facto é que tem encomendas de todo o mundo e de todo o tipo de clientes.

Mas como nasceu este artista? Bem, para começar chama-se Alexandre Farto e a sua fama – em formato discreto – terá começado, provavelmente, quando encheu Lisboa, a partir de meados da década passada, com dezenas de obras de arte. Vamos visitar alguns, num roteiro pelos seus trabalhos artísticos.
Uma das caraterísticas do trabalho de Vhils são as esculturas de rostos em paredes de edifícios. O tema já foi alvo de uma exposição na Undergroud Art Store, em 2016, onde estiveram expostas impressões de alguns dos melhores trabalhos de Vhils nos anos anteriores.

Como nasceu Vhils?

O artista nasceu Alexandre Farto, em 1987, cresceu no Seixal e tem vindo a interagir visualmente com o ambiente urbano sob o nome de Vhils desde os tempos em que era um desenhador de grafitis prolífico desde o início até meados da década de 2000.

Para desenvolver as suas obras, o artista utiliza para cada projeto uma técnica de escultura com base na superfície escolhida. Vhils vai descobrindo camadas sobre as superfícies, acabando por realizar uma “arqueologia urbana”. Dessa forma, descobre o que se encontra sob a superfície, “recuperando o significado e a beleza de dimensões esquecidas enterradas por baixo”.

As primeiras obras foram apresentadas publicamente em Lisboa em 2007 e no Festival Cans em Londres no ano seguinte. Desde então tem sido considerada uma das abordagens mais interessantes na criação de arte de rua na última década. Em 2011 publicou o livro “VHILS Selected Works 2005-2010”, que compila algumas das suas melhores obras, sob a chancela da holandesa Lebowski.

Os temas abordados passam pela luta entre as aspirações individuais e as exigências da vida quotidiana ou a erosão da cultura original de cada local por força de um modelo dominante de desenvolvimento global que tem vindo a impor-se em todo o mundo. Aproveite para ler a restante descrição no site do artista.

O artista é também experimentalista e tem vindo a desenvolver novas técnicas. Usa também pintura com stencils, escultura em paredes, explosões pirotécnicas ou modelagem 3D, passando por instalações a vídeos de música.

Amália Rodrigues em Alfama

Em primeiro lugar, uma das obras mais reconhecidos é o tributo a Amália Rodrigues, de 2015, que marcou a estreia de Vhils em obras com calçada portuguesa, tendo contado com a colaboração de calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa. Para a encontrar: Rua dos Cegos, 42, em Alfama. Como resultado, a imagem foi também utilizada na capa do disco produzido por Ruben Alves, “Amália, As Vozes do Fado”.

Memória no D. Maria

Uma obra instalada no interior não poderia estar integrada num espaço mais emblemático: no Teatro D. Maria II, em Lisboa. Isto porque se enquadra no projeto “Memória (1964)” que assinala a recuperação do teatro após um violento incêndio que o destruiu em 1964. A obra está no Salão Nobre do Teatro D. Maria II, na Praça Dom Pedro IV, em Lisboa.

Os habitantes na Av. Da Índia

De volta à rua, no número 28 da Av. Da Índia, está mais uma obra megalómana, que ocupa a fachada lateral do edifício. “Dissecação” foi o nome da exposição a solo do artista, em 2014, onde pretendeu “problematizar a questão da memória coletiva das cidades e as histórias dos habitantes das mesmas”, como se lê no já referido artigo do NIT.

Um Vhils Honorato

Novamente dentro de portas, o Honorato do Largo Rafael Bordalo Pinheiro tem uma obra de Vhils em destaque na parede. É uma oportunidade para apreciar a obra, enquanto toma uma agradável refeição.

O Vhils já lá estava

Também num espaço de restauração, onde são servidos pratos paleo, vegan e vegetarianos é possível admirar a obra do artista do Seixal. A obra já estava na fachada do prédio, antes da inauguração do restaurante e foi retocada antes da abertura do espaço.

Escultura e música no Braço de Prata

A obra de Vhils está também integrada na música. É o caso do vídeo da banda portuguesa Orelha Negra, gravado na Rua da Fábrica do Braço de Prata em Lisboa. O vídeo “M.I.R.I.A.M.”, de 2011, tem como pano de fundo a obra de Vhils de 2010.

Vhils com PixelPancho

Ainda à Beira Rio, na Lx Factory, na avenida Infante Dom Henrique, em Alcântara, pode observar-se uma obra de Vhils que integra o projeto Underdogs, de 2013, com o intuito de consciencializar a população acerca do que é a Arte Urbana. O projeto, no Cais do Jardim do Tabaco, foi desenvolvido por Farto em colaboração com o artista de Turim PixelPancho.

Diorama na Praça de Espanha

Por fim, subindo à Praça de Espanha, pode encontrar-se outra obra de Vhils, na avenida Calouste Gulbenkian. A peça artística integrou uma exposição individual do artista na Agência Vera Cortês, “Diorama”, onde foram expostas pequenas peças na galeria. No entanto, a exposição extravasou os limites da Galeria para se chegar às paredes da cidade de Lisboa, em 2012. Uma delas foi a intervenção na Praça de Espanha.