Vila Galé: vinho e cavalos na planície alentejana

Fomos até Beja viver o verão tardio com um encontro marcado com o vinho no Vila Galé Clube de Campo. Andámos a cavalo, de balão e ainda visitámos a cidade.

Em terra de vinho de respeito e onde o inverno chega umas semanas mais tarde, o Vila Galé Clube de Campo é local idílico para aproveitarmos os últimos raios de sol da temporada. Fica a pouco mais de duas dezenas de quilómetros de Beja e é simultaneamente sofisticado e rústico. Tal como se deseja num fim de semana dedicado aos prazeres do estômago. Se procura um destino que cruze o enoturismo com turismo de natureza, o Alentejo tem que estar nos seus planos!

Uma herdade à maneira alentejana, a Figueirinha é um espaço enorme de mais de 1600 hectares. (Quase) todo o Alentejo está aqui, as vinhas e olivais, os pomares, as barragens e até o horizonte ondulante. O espaço foi renovado, não perdeu o tom rústico, e conte agora com court de ténis, piscina interior e banho turco. Para conhecer a herdade, aconselha-se o passeio em charret de duas horas porque este não é ”só” um hotel. Aqui também se produz vinho e azeite, dando origem à marca Santa Vitória. Nos pomares crescem ameixas, nectarinas e pêra-rocha, cujas compotas pode experimentar ao pequeno-almoço.

Os vinhos Santa Vitória podem ser provados no restaurante local, no Pavilhão de Caça, ou durante visitas guiadas à adega. A enóloga responsável é Patrícia Peixoto e está disponível para nos explicar como funciona todo o processo. Aos sábados há ainda worshops de culinária, com visita à cave, e o chef Romão Reis ensina práticos típicos alentejanos. Em Novembro, na altura da apanha da azeitona, os hóspedes podem também participar na colheita.

Balões e cavalos na capital do Baixo Alentejo

Os praticantes de equitação têm na Herdade da Figueirinha um destino de eleição. É possível marcar aulas de volteio a cavalo e pónei, e partir para longos passeios na planície. A partir do céu, de um balão de ar quente que podemos reservar na receção, a paisagem ondulante é fabulosa. Imperdível para quem não tiver medo de alturas. Canoagem na barragem do Roxo, passeios de moto-quatro e safaris de jipe são as propostas para gente ativa. Para os mais pequenos há passeios de burro, visitas aos estábulos, mini-golfe e um mini jardim zoológico.

A apenas 20 e poucos quilómetros de Beja, a visita à cidade é obrigatória. Para uma região com tão distinto passado, surpreende-nos com a sua pose simpática e despretensiosa de cidade do interior. Ligeiramente mais alta do que a vizinhança, observa calmamente a planície que se deita a seus pés e fica no centro de uma confluência de estradas que nos levam a algumas das povoações mais pitorescas do Baixo Alentejo. Ferreira do Alentejo, Cuba e Aljustrel são localidades que merecem o seu tempo se está na região.

E ainda…

Longe dos tempos do Alentejo empobrecido de há 100 anos, Beja cresceu e modernizou-se muito, mas tem um centro histórico bem preservado, acessível e agradável para um forasteiro que procura apenas um breve contacto com a cidade ou para os verdadeiros viajantes que queiram viver a cidade de forma mais profunda. Numa visita de apenas algumas horas podemos visitar o Castelo ou o Museu da Rainha Dona Leonor, mas a experiência gastronómica tem que estar nas suas prioridades. Aqui há migas de carne de porco, açorda de coentros, gaspacho, vinagrada, ensopado de borrego, pesos pesados que não podem ser dominados no pino do verão mas que, nesta altura, aquecem a alma. Papos de anjo, morgados e fios de ovos rematam o menu para os amantes da doçaria conventual.

Deixamos ainda um par de recomendações para longos passeios de carro para desmoer uma copiosa refeição alentejana. Siga na direção do sol nascente, com Espanha no horizonte, para conhecer um dos extremos de Portugal, entre Moura e Barrancos, e um povo muito orgulhoso e singular. Mais a sul, também sobre a linha de fronteira, as margens do Guadiana oferecem paisagens incríveis.

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