WLTP: para quê um novo método de medição de consumo?

O WLTP é o novo processo de medição de emissões e consumo da indústria automóvel. Mas o que é que ele significa para o consumidor e para a carteira?

O WLTP (Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedure) já está a ser aplicado desde 1 de Setembro e poderá ter impacto no preço dos carros novos. É um novo conjunto de procedimentos que avaliam os níveis de poluentes e emissões de CO2 e será usado para determinar a carga fiscal sobre o veículo. Portugal é um dos 19 estados-membros que aplicam impostos baseados em emissões e o novo sistema traz também novidades. Mas, por que é foi introduzido um novo método? Qual era o problema com o antigo e o que é que este resolve? Fomos investigar…

A tecnologia tem evoluído no sentido de reduzir consumo e emissões de forma drástica nas últimas décadas. A redução do peso do carro, melhores sistemas de gestão de consumo e combustão e filtros mais eficazes tornaram os carros mais “verdes”. Tudo isto levou ao requestionar do antigo sistema de medição.

WLTP: para quê um novo método de medição de consumo?

Como são testados os valores de consumo

Os fabricantes são obrigados a declarar o consumo dos seus carros e a forma como fazem é normalizada. O NEDC (New European Driving Cycle – Novo Ciclo de Condução Europeu) foi introduzido em 1992 e atualizado pela última vez em 1997. Esta sigla reúne um conjunto de testes em laboratório que, com o passar do tempo, revelaram ser insuficientes. As margens desse procedimento de certificação contribuem entre 10 e 20% na diferença entre os valores relatados e a realidade. Esta última foi estimada na ordem de 40%, ou 47,5 gCO2 / km para emissões médias, mas pode variar até 60% ou até 19%, dependendo do tráfego.

Com um mercado tão influenciado pelas questões do consumo e emissões, a mudança era um imperativo. Sempre soubemos que os valores de consumo no banco de testes e na vida real raramente são iguais e a explicação é simples. O NEDC tinha duas fases: na primeira simulava-se a condução em cidade, com paragens curtas; na segunda levava-se o carro até uma velocidade máxima de 120km. Estes dados não incluíam velocidades superiores, equipamentos opcionais ou o comportamento efetivo de uma caixa de velocidades. Segundo o Razão Automóvel, no virar do século as discrepâncias em relação à realidade eram de apenas 8%, e em 2015 atingiam um recorde absoluto de 42%. Além do mais, era um protocolo usado apenas na Europa.

Uma abordagem mais realista e global

Para resolver estas lacunas, o novo ciclo de condução, o WLTP, faz uma abordagem estatística global dos perfis de condução. É agora uma norma global, criada pela União Europeia, Japão e Índia que terá impacto também noutros mercados. O processo foi desdobrado em quatro fases, velocidade baixa, média, alta e muito alta, cada uma com diferentes níveis de aceleração e travagem. O objetivo é realizar testes mais próximos da condução real. Assim passam a ser incluídos novos indicadores, velocidades, acelerações e temperaturas superiores e consideram-se agora os opcionais. A distância conduzida no teste também aumentou, assim como há um maior recurso às passagens de caixa.

Os testes arrancaram no dia 1 de setembro e aplicam-se aos modelos introduzidos depois desta data. Passado um ano, em 2018, o WLTP irá aplicar-se a todos os carros novos. Nessa data, a realidade do mercado também poderá ser significativamente alterada. Os valores obtidos segundo a nova norma são superiores aos NEDC e a carga fiscal irá refletir esse facto.

Impacto no consumidor

A Associação Europeia dos Construtores Automóveis alerta que os regimes fiscais aplicáveis terão que ser revistos ou, caso contrário, será o consumidor a pagar a tarifa. Segundo a mesma fonte, um carro que apresente uma medida de 100 gCO2/km nos NEDC irá passar a ter um valor de 120 gCO2 com os testes WLTP. A Comissão Europeia está a trabalhar num método de harmonização que até à data ainda não é conhecido. Por seu lado, alguns construtores já se anteciparam e começaram a publicar os valores WLTP em alguns dos seus novos veículos.

Mesmo que falte ainda conhecer o seu impacto na construção dos veículos do futuro próximo, o WLTP era uma revolução necessária. Depois da obrigatória harmonização fiscal que consumidores e indústria irão inevitavelmente exigir, o panorama deverá ficar mais claro, com todos a sairmos beneficiados. Até lá fica uma certeza: o seu próximo carro só vai gastar e poluir mais se você quiser.