Elvas, a fronteira de sol e pedra

21 Outubro | 2016 | Goodyear

Há qualquer coisa de diferente nas vilas e cidades de fronteira. Parecem ter resistido a passagem do tempo de um modo distinto, melancólico mesmo, como se ainda conseguissem lembrar tempos tempestuosos e interessantes. A linha arrevesada que separa Espanha de Portugal está cheia de locais assim, clássicas vilas de interior marcadas pela sua proximidade com outro país e a convivência e contacto seculares entre culturas. Mesmo que só diste 200 km de Lisboa, Elvas parece um mundo completamente distinto.

As pessoas apaixonadas pela história têm uma paragem obrigatória nesta velha cidade que ainda mergulha numa atmosfera medieval. Vestígios arqueológicos espalhados por toda a região testemunham a importância de Elvas na nossa história, e o património monumental que lá nos aguarda justifica completamente a visita. E não precisamos de falar muito da gastronomia local, que dará cabo de qualquer hesitação na hora de escolher Elvas como destino de fim de semana. O Alentejo, neste sentido, é a escolha certa sempre.

A fama de Elvas está unida, inexoravelmente, ao aqueduto do século XVII (inicado no século XV), uma obra de engenharia de mais de 40 metros de altura que, unindo Amoreira com Elvas num percurso de 8,5 quilómetros e 843 arcos, está considerado a maior construção peninsular deste tipo. Faz parte do mesmo conjunto histórico definido desde 2012 como Património da Humanidade em que se integra também o vasto sistema defensivo da cidade, típico de uma povoação de fronteira.

Aqueduto de Elvas

Castelos e fortalezas

Porque a proteção de Elvas foi garantida pela maciça presença de fortificações de todo o tipo destinadas tanto às guerras contra os muçulmanos como, posteriormente, à defesa da fronteira com a Espanha. A Fortaleza da Nossa Senhora da Graça, no monte do mesmo nome a um quilómetro da cidade, fazia parte da defesa integral de Elvas. Uma impressionante estrutura de planta quadrangular e forma de estrela pelos baluartes pentagonais que a protegem. A Porta do Dragão é o monumental portão que permite acessar ao conjunto. O complexo Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e as suas Fortificações é completado pelo imponente Forte de Santa Luzia (ligado à cidade por um túnel) de estilo Vauban e aspecto poligonal, bem como o Forte da Piedade, o de São Francisco, o de São Mamede e o de São Pedro. Não esqueça ainda o castelo, de entrada livre, um edifício histórico que oferece uma vista impressionante sobre Elvas e as terras alentejanas à volta. Muito perto pode conhecer o Cemitério dos Ingleses, onde foram soterrados soldados britânicos que morreram a combater contra as tropas napoleónicas em começos do século XIX.

Fortaleza de Santa Luzia

O passado guerreiro de Elvas fica também evidenciado pelo Museu Bélico, onde o armamento histórico é mostrado ao ar livre, bem como objectos de ambas as guerras mundiais, e pelas muralhas medievais, que protegiam a cidade dos ataques muçulmanos e cristãos, segundo a época.

No centro da cidade, a Praça da República funciona como coração urbano e nela está situada a Sé Catedral, com um interior luminoso onde se destaca o lindo retábulo do altar, de extraordinária beleza.

Prepare Fevereiro

Uma visita de Outono é uma ideia perfeita para visitar com calma a cidade, mas é também recomendável procurar alojamento para o mês de Fevereiro quando o Carnaval chega. Destacado como um dos mais importantes de Portugal, e até mesmo de Europa, e uma celebração de grande sucesso entre os vizinhos e os turistas, muito influenciado pela imagem popular que relacionamos com a festa do Rio de Janeiro. Colorido e agradável, enche de luz o inverno nesta cidade arraiana que hoje defende a sua própria história.

Good Year Kilometros que cuentan