Guimarães, um fim de semana com 1000 anos de História

Linda e acolhedora como poucas, Guimarães é cidade ideal para uma curta escapadela no princípio do Outono. A Goodyear conta-lhe o que deve visitar.

É uma das imagens mais famosas da “Portugalidade” mas até o Castelo de Guimarães é um desconhecido para muitos portugueses. Já tínhamos visitado a cidade minhota várias vezes, passado até alguns fins de semana no concelho, mas nunca tínhamos dedicado real atenção ao centro e à zona histórica. Para colmatar a lacuna, a Goodyear meteu-se à estrada e foi passar dois dias a Guimarães, entre pedras de memória milenar, no sítio onde se afirma ter nascido Portugal.

Antes que o Outono se instale plenamente, e ainda com a promessa de dias soalheiros na previsão meteorológica, Setembro é altura perfeita para escapadelas mais urbanas, agora que o infernal calor do Verão começa a desaparecer. A nossa recomendação desta semana é Guimarães, um histórico destino português que, de tão clássico e conhecido, corre o risco de ser ignorado como um local fantástico para uma fuga de fim de semana.

Para manter o tom “histórico” que tínhamos escolhido para estes dois dias no Minho, passámos a noite na Pousada da Marinha, um antigo mosteiro mandado construir por Dona Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques. O claustro, os jardins circundantes e a encosta do Monte da Penha são óptimos ingredientes para passar um fim de semana em total relaxe, só a apreciar o oásis de frescura do mosteiro, mas tínhamos feito a promessa de calcorrear todo o centro. Combatemos a inércia e agarrámos no carro para fazer o curto trajecto que nos separava do castelo.

Do alto do Castelo de Guimarães

Como convém a uma História feita sempre de avanços e recuos, de migrações e conquistas, o Castelo de Guimarães foi construído em cima de uma outra fortificação que já antes tinha sido testemunha das incursões de mouros e normandos. Quem mandava aqui por alturas do Séc. X era a Condessa Mumadona, importante figura da época e a mulher mais poderosa da Península, mas hoje em dia só conseguimos ver os sinais de quem lhe seguiu: a torre de menagem ao centro, as ruínas da alcáçova e as muralhas com as suas três torres de defesa.

Descendo o Monte Latito onde foi edificado o castelo, encontramos a pequena Igreja de São Miguel onde se conta que Dom Afonso Henriques terá sido baptizado. A pia baptismal ainda lá está e a imponência rude desta pedra antiga é tudo quanto nos basta para retroceder a essa data, algures no séc XII. Se, de repente, entrasse um cavaleiro em armadura de malha nem piscávamos os olhos. Até porque ele não anda longe.

Um pouco mais abaixo, no largo onde os autocarros deixam os turistas para a sua tour, está o homem de quem se fala, o cavaleiro sem o qual nada disto teria sido possível. A estátua de D. Afonso Henriques (da autoria de Soares dos Reis) é figura que empresta personalidade a Guimarães e protege a cidade. À sua direita, o Paço dos Duques de Bragança já não ostenta a sua fachada original mas mantém-se num bom estado de conservação, enquanto à esquerda a Santa Casa da Misericórdia ocupa hoje o antigo Convento dos Capuchos.

Praça Santiago em Guimarães

Ruas de pedra

Depois de conquistado o Castelo, no nosso segundo dia em Guimarães prosseguimos pelo Jardim da Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo para a Rua de Santa Maria. Nesta centenária ruela, quase tão apertada que está sempre na sombra, vemos algumas varandas de madeira, janelas de rótulas, paredes caiadas e portas quinhentistas.

Passámos pela Câmara Municipal e prosseguimos caminho por debaixo do arco até desembocar no agradável Largo da Oliveira. Eram aqui os antigos Paços do Concelho, mas é agora o nosso local de eleição para um momento de pausa e refresco numa das esplanadas aqui construidas. Uma atenção especial para gulosos: a Pastelaria Medieval tem as “tranças de Guimarães” que provámos e aprovámos, e a Docélia é reconhecida pelos seus “Toucinhos do Céu”.

A um canto da praça, passando por debaixo de uns arcos, chegamos à Praça de Santiago, também com um conjunto de cafés, desta vez com vista para uma fiada de casas com o traço do Séc XVIII, em pedra e varandas de madeira.

Fora das muralhas

Prosseguindo pela Rua Egas Moniz, depois de passar pelo Museu Alberto Sampaio, fazemos um percurso paralelo às muralhas, e cruzamo-nos com uma parte da cidade que junta ainda construções de 1700, com algumas recuperações mais modernas e menos cuidadas.

Desembocamos no amplo Largo do Toural e somos recebidos pelas fachadas do séc. XVIII e XIX que engalanam esta zona de forte actividade comercial. Perto, inscrito num ponto intacto da muralha, a Torre da Alfândega, está o famoso “Aqui Nasceu Portugal” que justifica as centenas de selfies que são aqui tiradas todos os dias.

Quase mil anos de mémorias

É a partir do Largo do Toural que encontramos algumas das mais bonitas e melhor conservadas ruas das cidade. A rua de Camões e as suas varandas com torneados a terminar na Igreja das Dominicanas, a rua de D. João I e o estilo gótico da Igreja de São Domingos, ou a Paio Galvão que nos leva para uma parte mais moderna da cidade.

Estivemos aqui perdidos durante horas, visitámos a igreja de São Francisco, e voltámos ao Largo da Oliveira através da Rua da Rainha e do Largo da Misericórdia. Sentimos fluir por todo o lado um ambiente que não trazia só recordações da História, mas que parecia mesmo revivê-la. Quando pisamos a pedra destas ruas, o som que fazemos não é muito diferente de outros que aqui passaram há 500 anos.