Lisboa, (também) Capital do vinho

Percurso pela rota do vinho de Lisboa, da Arruda dos Vinhos até às Caldas da Rainha, passando por Torres Vedras e o Cadaval

Se o mundo rural já parece bem distante na memória dos lisboetas, a verdade é que à volta da capital encontramos ainda alguns dos melhores vinhos nacionais. Não são só as velhas quintas semi-abandonadas à entrada da cidade. Há uma vibrante produção vinícola a pouco mais de uma hora de distância do Terreiro do Paço. De Colares às Caldas, as “estradas” do vinho levam-nos à procura de sabores divinos, passando por alguns dos velhos resquícios da altura em que esta região ainda era denominada como “Saloia”. Venha connosco pela Rota dos Vinhos de Lisboa.

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    A uva “saloia”

    Já vos falámos antes da nossa paixão por Colares e, perdoem-nos a insistência, é aí que iremos iniciar a viagem. As deslumbrantes paisagens que nos recebem estão ao nível da qualidade do néctar que aqui se produz. A Adega Regional de Colares (encerra aos domingos) é a primeira paragem, um devido tributo à adega cooperativa mais antiga do país e a um dos vinhos melhor conseguidos do nosso território.

    Continuamos o nosso passeio em busca dos melhores vinhos de Lisboa  e seguimos caminho para Norte, passando ao lado de Sintra, em direcção à Ericeira pela N247 onde, depois do verde da Serra, iremos entrar uma zona de paisagem atlântica. Os quilómetros em volta da Ericeira, efectuados mesmo ao lado do mar, são uma delícia de que nunca nos cansamos. Pare aqui uns minutos para cheirar a maresia antes de voltar ao caminho.

    Como não temos pressa, optamos pela N116 para nos levar por Mafra até ao Gradil e aproveitamos para visitar a Quinta de Sant´Ana, onde além de deliciosos vinhos, podemos participar em sessões de prova ou aproveitar os vários alojamentos disponíveis para pernoitar ali.

    Vinhos

    A Arruda que é dos “vinhos”

    Desta vez optamos por continuar caminho porque queremos chegar ainda hoje às Caldas da Rainha. Daqui em diante entramos na oficial Rota dos Vinhos de Lisboa e seguimos na direção de Torres Vedras, saindo da N8 a seguir ao Turcifal e rumando a Ventosa. Aqui chegamos à Adega Mãe, produtor que já viu os seus Merlot de 2012 e Dory de 2013 premiados e aposta em modernas formas de produção. Aqui pode visitar o coração da adega, as prensas de vinho branco e de vinho tinto, as cubas de armazenamento e fermentação, o laboratório e a Sala do Tempo, a enoteca, a  sala de provas, e terminar com uma degustação na varanda com vista para a vinha.

    Com rumo à Arruda dos Vinhos, em Dois Portos fazemos um desvio até Ribeira de Maria Afonso, um perfeito exemplo das típicas aldeias da região, para uma paragem na Casa da Ribeira. Para além da deliciosa envolvente, dos traços de barroco e da Igreja do séx XVII, são o Erva Pata e o Môscatoiro que nos trazem aqui. Chegados à Arruda, a visita centra-se na adega cooperativa local onde, mediante marcação, somos convidados a conhecer os diversos vinhos da zona. Há aqui também uma loja com exposição permanente e venda direta ao público.

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    Terras de Alenquer

    Depois destes desvios, vamos voltar a conduzir para norte e passar pela zona com maior concentração de vinha da região. Em Aldeia Galega, é a Quinta de Chocapalha que ocupa 45ha de vinha centenária e que nos convida a visitar o espaço para provas e almoços. Os passeios pela propriedade são acompanhados por um dos proprietários ou pelo enólogo residente e levam-nos pelo seu pomar e vinhedos, adega e sala de barricas, atenção que obriga a marcação prévia.

    No Convento da Visitação oferecem-se também programas de enoturismo, passeios pelas vinhas, adega e cave, que podemos aproveitar para uma estada mais prolongada, num dos quartos de hóspedes disponíveis.

    Finalmente, e apesar de só estar aberta para visita entre segunda e quinta feira, na N115 fica a Quinta do Pinto, uma belíssima propriedade de encosta virada a sul com uma luz fantástica. Aqui a produção é baseada no Touriga Nacional e Tinta Miúda (nos tintos) e Arinto e Fernão Pires (brancos) que, complementados com diversas castas internacionais, resulta em vinhos únicos, cheios de carácter e alma. Conforme a altura do ano, poderá participar nos trabalhos da poda e da vindima.

    Rota Lisboa

    Na vizinhança das Caldas

    Começamos a chegar ao nosso destino mas ainda temos tempo para mais dois desvios. O primeiro passa pela Adega Cooperativa do Cadaval, que junta hoje mais de 500 produtores. A exposição atlântica favorece os espumantes e vinhos brancos aqui produzidos, sempre frescos, intensos e aromáticos. Se quiser conhecer o primeiro espumante com Denominação de Origem Óbidos é aqui que terá que rumar.

    A nossa última paragem é na Companhia Agrícola do Sanguinhal, fundada nos anos vinte por Abel Pereira da Fonseca. Por serem produtores de referência da Região de Óbidos e terem um património museológico único ligado à produção de vinho, a família decidiu abrir as suas portas e dar a conhecer a sua história e os seus vinhos. Assim, o programa de enoturismo inclui visitas aos jardins, às vinhas, uma antiga destilaria, ao lagar e a cave, terminando da forma mais adequada possível, com uma prova de vinhos, acompanhada por queijo regional.

    Claro está que chegamos ao fim deste percurso e deixámos tantos e tão bons vinhos de fora da lista. Faltou-nos também tomar a direção contrária e rumar a sul para conhecer, por exemplo, Carcavelos ou Setúbal, não experimentámos o favaios ou o moscatel, mas vamos deixar estas (e outras) zonas para próxima ocasião pois merecem espaço próprio que as respeite e as “deixe respirar”.

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