Barca d’Alva: túneis radicais e embarcações suaves

De Barca d’Alva a Freixo de Espada à Cinta, fomos à descoberta do fim do Douro Navegável. Venha nesta rota natural, com início em Espanha.

Nos confins da Beira Alta, junto à fronteira espanhola, fica Barca D’Alva. Bem perto, e talvez mais conhecida pelo menos de nome, Freixo de Espada à Cinta. O local foi em tempos um posto de controlo de fronteira. Nos dias de hoje, está integrado no belo Parque Natural do Douro Internacional. Assim, venha com a Goodyear para uma rota duriense, entre Barca D’Alva e Freixo de Espada à Cinta.

A localidade, junto à margem do rio, está rodeada de montanhas e desafia à aventura. A sugestão de passeio para esta região começa em Espanha, afinal o país vizinho fica a apenas dois quilómetros. Além disso, no local existe uma linha de caminhos de ferro abandonada há muito, que desperta o explorador que há em nós. Mas, atenção, que é mesmo só para os mais audazes.

Nas margens do rio de um lado, há uma correnteza de casas antigas. Do outro, um cais reluzente com pontões onde se acomodam as embarcações que navegam o Douro, transportando passageiros ansiosos por ver o que existe na região.

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    “La Fregeneda”

    Saltemos então a fronteira. Vamos até à estação espanhola de “La Fregeneda” para depois voltar, a pé, até à estação portuguesa de Barca d’Alva. Ao longo de 17km, a conhecida “Ruta de los Túneles”.  “constitui um interessante percurso pedestre”. A Rota dos Túneis corresponde a um trilho que segue a antiga linha que ligava Barca d’Alva a La Fregeneda. Esta era a linha que fazia a ligação entre o Porto e Salamanca. Por certo, para lá chegar a forma mais fácil é dirigir-se de carro até La Fregeneda, a 12 quilómetros de Barca D’Alva.

    Pocinho

    A linha foi construída no final do século XIX, e serviu noutros tempos, para ligar Porto a Paris. Abandonada desde 1985, acabou por se tornar num inusitado passeio que com vinte túneis e dez pontes.

    Em terras portuguesas é possível continuar a acompanhar a linha, ao longo do Rio Douro até ao Pocinho, onde termina a Linha do Douro. Atenção que este percurso tem um nível de dificuldade elevado, pode levar oito horas a percorrer e nunca deve ser feito sozinho, devido aos obstáculos do percurso. Decerto, ideal para quem gosta de adrenalina e aventura.

    Barca D’Alva: túneis radicais e embarcações suaves

    Barca D’Alva

    De volta a Barca d’Alva estamos no Alto Douro Vinhateiro, a mais antiga região vinícola demarcada do Mundo. Depois de descansar, no dia seguinte, e para descontrair da aventura mais radical, pode optar por uma aventura um pouco mais tranquila, na companhia de familiares e amigos. As opções são variadas: pode descer o rio, numa embarcação de Barca D’Alva até à cidade de Peso da Régua (também pode optar pelo percurso inverso) e há opções de dois dias.

    Régua

    Para o passeio mais curto, deve procurar os cruzeiros Régua / Barca d’Alva / Régua. Nestas embarcações fica a conhecer o Douro Superior. Neste passeio, um dos que compõem a diversificada oferta de cruzeiros no rio Douro, as refeições são tomadas a bordo, intercaladas por várias passagens por barragens: Bagaúste, Valeira e Pocinho, junto a localidades como Pinhão, Tua, Ferradosa, São Xisto e Pocinho (algumas das quais o Quilómetros que conta visitou recentemente). Foi assim que aproveitámos para aprender algo novo: eclusagem e enlusage.

    Barca D’Alva: túneis radicais e embarcações suaves

    Cachão da Valeira

    Através de uma eclusa, uma espécie de elevador aquático, as embarcações podem transpor rios ou canais onde existe um desnível. É o caso das barragens. Aqui a água acumulada de um lado é  mais elevada que a água depois da barreira. Eclusagem é, assim, o processo através do qual uma embarcação é elevada a uma barragem, estando no leito de um rio com nível mais baixo. Enlusagem é o oposto. Além desta aventura, deleite-se com as paisagens do Douro Vinhateiro, a Foz do Tua, o Cachão da Valeira, uma antiga cascata que impedia a navegação completa no Douro, São Salvador do Mundo, Foz do Côa e o Museu do Côa.

    Alpajares

    Nas proximidades de Barca d’Alva pode ficar na Casa de Alpajares – Casa de Campo, Enoteca & Spa. Esta casa, um T4, tem uma capacidade máxima para oito pessoas podendo ser arrendada na totalidade ou dividida. Situa-se na margem direita do Rio Douro, a cerca de 500m de Barca D’Alva. São aproximadamente 85 ha amendoal, olival, pomar de citrinos e vinha.

    O núcleo de edifício é composto pela casa principal, pela casa de caseiro e instalações agrícolas da primeira metade do Séc XX. Além da vista panorâmica para o Rio Douro, há passeios pedestres, aluguer de bicicletas, canoa e cavalos. Por fim, uma marina com rampa de acesso ao rio Douro permite a utilização de barcos.

    Freixo de Espada à Cinta

    Pode ainda pernoitar em Freixo de Espada à Cinta. Afinal, não se pode vir a esta região sem conhecer uma das localidades portuguesas com um dos nomes mais curiosos. Há quem diga que o nome tem origem num fidalgo godo chamado “Espadinta”. Outros defende que a origem da nomenclatura se baseia no brasão fidalgo leonês que tinha um freixo e uma espada. Entretanto, uma terceira lenda assinala que quando D. Dinis, Rei de Portugal, fundou a localidade no séc. XIV, amarrou a sua espada a um freixo, antes de se encostar à árvore a descansar.

    Penedo Durão

    Freixo de Espada à Cinta é de particular beleza quando as amendoeiras estão em flor. A paisagem pode então ser admirada em todo o seu esplendor do alto do miradouro Penedo Durão. A vista só termina além da fronteira espanhola.

    Em conclusão, o Douro nunca se esgota em segredos, alguns bem à vista. Desde Espanha e da raia, por velhos caminhos de ferro com o rio por companhia, na rota entre Barca d’Alva e Freixo de Espada à cinta encontramos sabores, vistas e paz.