Zêzere Abaixo

Como conhecer o rio Zêzere? Quais os locais a visitar durante um fim de semana de descida do rio

Ocupar um fim de semana com a descida do  Zêzere é passar por algumas das mais belas paisagens nacionais. Desde o seu início na Serra da Estrela, até encontrar o Tejo, neste rio poderá visitar uma das mais ricas diversidades ambientais do país. Diversas etapas do trajecto já eram bastante procuradas pelos entusiastas da canoagem, orientação e BTT mas foi recentemente inaugurada a Grande Rota do Zêzere, percurso que junta todas estas actividades. Mesmo que não tenha o fôlego e resistência física para ir de Manteigas até Constância num único fim de semana, escolha parte do trajecto e fique seguro que passará dias inesquecíveis.

 

Fim de semana no Rio

 Os 370Km de extensão da GRZ nasceram de uma ideia da Associação Amigos da Serra da Estrela tornada realidade pela ADXTUR, e percorrem 13 concelhos: Manteigas, Covilhã, Guarda, Fundão, Pampilhosa da Serra, Vila de Rei, Oleiros, Sertã, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Ferreira do Zêzere, Abrantes e Constância. O percurso foi projetado para ser feito a pé, de bicicleta ou de canoa, de forma contínua e encadeada, por troços ou mesmo em circuitos multimodais, recorrendo a mais do que uma disciplina. É um grande desafio e admitimos que ainda só conseguimos fazer algumas das etapas do trajecto.

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O que visitar

Descer o Zêzere não se resume a conhecer as suas margens. Para além do principal, existem ainda percursos complementares que levam os utilizadores a áreas geográficas e pontos de interesse  próximos, como as Aldeias do Xisto, as praias fluviais, as albufeiras e barragens, entre outros.

A nossa viagem começa no Covão D´a Metade, onde nasce o Zêzere, e vamos seguindo pela sua margem direita, com o cenário bucólico da Serra a servir de fundo. Este início só por si poderia bem valer a viagem, mas não muito longe, saltando a fronteira do distrito da Guarda, em Valhelhas encontramos uma deliciosa praia fluvial que merece  bem o tempo de descanso.

Apesar de estarmos já a sair da sombra da Estrela, em Barco ainda é o casario serrano que predomina. Se incluir esta etapa na sua visita, aproveite para experimentar o javali, prato típico da terra. Mais à frente, em Dornelas, vamos cruzar-nos com Barrocas, deliciosa aldeia construida em xisto como é típico desta zona.

Em Janeiro de Baixo iremos encontrar resquícios da presença da Ordem de Cristo e uma jazida de quartzo esculpida pelo rio. A cascata do açude de Cambas é um curioso apontamento na paisagem e a pouca distância, na Abitureira, termina a zona do rio mais adequada para a canoagem de águas bravas.

Entre Álvaro e Pedrógão Grande, o rio espraia-se e podemos visitar mais duas das pitorescas Aldeias do Xisto, numa zona em que o Zêzere e o Unhais se unem com a barragem do Cabril como pano de fundo. Entramos em Santarém por Dornes, terra anterior à nacionalidade que, com a subida das águas do rio, ficou instalada numa deliciosa península sobre as águas. É uma das mais curiosas localidades portuguesas e é a porta de entrada para a bacia que se forma aqui com Castelo de Bode. Já estamos perto do final da nossa viagem, mas poderíamos ainda estar no princípio, tal a quantidade de recantos e actividades que a mais famosa das barragens portuguesas permite.

Agora “só” nos falta a etapa final, a aproximação a Constância pelo Norte. Já aqui andámos de canoa há uns meses atrás mas chegados através do Tejo. Dependendo da altura do ano e das descargas de Castelo de Bode, se escolher ir a remo, este último percurso é feito quase sempre em ritmo de descanso, a corrente não é excessivamente forte mas tem ímpeto suficiente para nos levar nos braços até à meta.

Não desista desta aventura desalentado pelos seus 300 e muitos quilómetros. Há milénios que o rio cava estes vales e continuará a fazê-los por muitos mais. Não precisa de fazer tudo de uma vez pois o Zêzere estará sempre aqui à sua espera. Escolha as suas armas (bicicleta, canoa ou sapatos de corrida) e venha daí.

  • Marco Moura

    Se quiserem umas dicas sobre o Zêzere e Valhelhas esteja a vontade 😉

  • Carlos Simões Leitão

    Muito resumido, muito poucas fotografias e nenhum filme…. Muito pobre.