Aqueduto das Águas Livres: como chegava a água a Lisboa

Era através do Aqueduto das Águas Livres que o líquido mais precioso chegava à capital. Leve os seus filhos a uma viagem mágica ao passado.

A sugestão Goodyear para passear com os seus filhos esta semana é o Aqueduto Águas Livres. Este era o caminho que as águas faziam para chegar à capital há 150 anos. Mas o passeio está longe de começar e acabar neste Monumento Nacional, assim classificado desde 1910.

O Museu da Água promove e dinamiza visitas livres e guiadas à arcaria do vale de Alcântara. É que o aqueduto é muito maior do que se vê a olho nu quando se passa entre a Praça de Espanha e Alcântara, em Lisboa. O percurso do aqueduto inclui antigas estações de abastecimento, reservas e longos túneis subterrâneos que atravessam a cidade.

A parte mais imponente e visível, e, porventura também a mais conhecida, é a extraordinária arcaria do vale de Alcântara. São 941metros de cumprimento, 35 arcos, incluindo, um recordista: o maior arco em ogiva, em pedra, do mundo, com 65,29 m de altura e 28,86 m de largura, segundo informação disponibilizada no site da EPAL. O Aqueduto foi construído entre 1731 e 1799, por determinação régia. É um vasto sistema de captação e transporte de água por via gravítica. Esta caraterística torna-o uma “obra notável da engenharia hidráulica”.

A água que aqui circulava era proveniente de nascentes de água das Águas Livres, integradas na bacia hidrográfica da serra de Sintra, na zona de Belas, a noroeste de Lisboa. Mas a história do aqueduto é anterior ao mesmo, pois o trajeto do mesmo corresponde, traços gerais ao percurso de um antigo aqueduto romano.

A construção foi financiada por um imposto denominado “Real de Água” lançado sobre bens essenciais como o azeite, o vinho e a carne.

Aqueduto das Águas Livres: como chegava a água a Lisboa

Sistema longo e complexo

Terão reparado que o aqueduto foi construído entre 1731 e 1799. Pois, também entre essas datas ocorreu o dramático terramoto de 1755 e o sistema do aqueduto resistiu ao desastre natural.

O sistema é composto por um troço principal, de 14 km de extensão, com início na Mãe de Água Velha, em Belas, e final no reservatório da Mãe de Água das Amoreiras, em Lisboa. Acrescem vários troços secundários destinados a transportar a água de cerca de 60 nascentes e ainda cinco galerias para abastecimento de cerca de 30 chafarizes da capital.

O sistema do aqueduto chegou a atingir 58 quilómetros de extensão, no século XIX. E, algo que pode ser ainda mais interessante, é que os nossos pais e avós, pelo menos os que viviam na capital, terão consumido esta água até à década de 1960. Pois só a partir dessa data as águas do aqueduto deixaram de ser utilizadas para consumo humano.

O Museu da Água

O Aqueduto das Águas Livres é apenas um dos monumentos e edifícios construídos entre os séculos XVIII e XIX, que representam um importante capítulo da história do abastecimento de água à cidade de Lisboa e que integram o portefólio de oferta do Museu da Água.

Além do Aqueduto, é igualmente possível visitar o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, o Reservatório da Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. Estes espaços patrimoniais foram transformados em museus. Através deles é possível fazer um percurso único pelos caminhos da água na cidade de Lisboa. A exposição permanente no edifício da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos permite entender a relação existente entre os vários espaços que constituem este Museu e, ainda conhecer uma multiplicidade de assuntos relacionados com a Água.

É que a exposição permanente do Museu da Água aborda de sete formas diferentes a água: A água e o planeta, a história do abastecimento de água à cidade de Lisboa desde a presença romana até à atualidade, o próprio aqueduto das Águas Livres, a água e as ciências naturais ou a água e as tecnologias. Para consultar a oferta completa e detalhada pode visitar o site do Museu da Água.

Galeria do Loreto

Mas ainda há mais. Como já referimos, a água transportada pelo aqueduto, ao chegar a Lisboa, era conduzida a cerca de 30 chafarizes, em particular na zona ocidental da cidade. A água era distribuída por uma “rede emissária” constituída por cinco galerias que integravam o sistema Aqueduto das Águas Livre e cujos nomes estavam relacionados com a localização geográfica. São as Galerias do Campo de Santana (iniciada em 1784), a das Necessidades (1752), da Esperança (1752), do Rato (1753) e do Loreto (1746). Estas galerias, maioritariamente subterrâneas estendem-se por 12 quilómetros.

E porque é especial a Galeria do Loreto? Porque pode ser visitada. Esta galeria começa na Casa do Registo, junto à Mãe d’Água das Amoreiras, e dirige-se para o Largo do Diretório do Teatro Nacional de São Carlos. Tinha derivações para a Praça da Alegria, Rua do Século (antiga Rua Formosa), Largo do Carmo e Largo de São Paulo. Totalmente enterrada, esta galeria prolongava-se por 2835 metros.

O Museu da Água organiza visitas guiadas na Galeria do Loreto que incluem alguns troços subterrâneos do Reservatório da Patriarcal ao miradouro de São Pedro de Alcântara e do Reservatório da Patriarcal à Rua do Século. Atenção que as visitas a estes troços não estão disponíveis diariamente. A marcação é obrigatória.

A título de curiosidade, esta galeria abasteceu alguns estabelecimentos públicos entre os quais se destaca a Imprensa Nacional, o Passeio Público, a Misericórdia, o recolhimento de S. Pedro de Alcântara, o Passeio de S. Pedro de Alcântara e o Quartel da Guarda Municipal do Carmo.

Quando pode visitar?

Durante o corrente ano de 2018, o Museu da Água estará aberto ao público gratuitamente, durante todos os fins-de-semana. A celebração? São os 150 anos da EPAL. Estas visitas podem incluir o Aqueduto das Águas Livres, o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, o Reservatório da Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos.

Antes de se deslocar, entre em contacto pois, por exemplo, as visitas aos sábados obrigam à marcação e pagamento prévios. Além do mais, alguns dos espaços não estão abertos todos os dias, como é o caso do Aqueduto das Águas Livres que não pode ser visitado à segunda-feira.

O Reservatório da Patriarcal está, até 2 de Dezembro aberto de terça-feira a domingo, para que possa ver a exposição “Ilhas Luz”. No entanto, habitualmente tem um horário mais limitado.

O Museu da Água organiza também inúmeras atividades para escolas e famílias com o objetivo de alertar e sensibilizar para o uso eficiente da água, para a preservação do ambiente e do património monumental, cultural e histórico, em prol de um futuro mais sustentável. Por exemplo, as famílias com crianças maiores de seis anos podem inscrever-se e participar nas atividades: “Ciência na cozinha”, “Ciência por trás das câmaras” e “Arte e ciência”.

Visite o Aqueduto das Águas Livres com os seus filhos e fique a conhecer a história e as lendas sobre esta infraestrutura assinalável da capital de Portugal.