Brincadeiras de luz e cor: tudo sobre borboletas

Leve os seus filhos a conhecer os borboletários de Lisboa e Cascais e, depois, leve-os ao campo para exercitarem os novos conhecimentos

As borboletas são um dos mais belos e misteriosos fenómenos da natureza, apaixonantes para qualquer criança e fantásticas razões para  passarmos um dia no meio do campo. Conta-se que têm uma vida secreta mas é nesta época do ano que se mostram com todo o orgulho, oferecendo nova companhia às flores de Portugal. Vamos agarrar na família e ir à procura destas “meninas” nos borboletários de Lisboa e Cascais, onde biólogos e entomólogos são especialmente formados para ensinar estes mistérios aos nossos filhos.

 A importância das Borboletas

Para além do fascínio por detrás das suas cores esvoaçantes e do processo que as leva de larva a exuberantes inseto, as borboletas são importantes indicadores da qualidade do ambiente. Os nossos pequenos “futuros-biólogos” vão aprender que, da próxima vez que as encontrarmos no meio do campo, estamos perante um sinal da riqueza biológica do local. Apesar de frágeis, estes insetos são determinantes no papel da polinização, sem a qual muitas espécies não teriam acesso aos seus alimentos preferenciais.

Borboleta

Em Lisboa, num reino florido

Mesmo no centro de Lisboa, no Princípe Real, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência teve a primeira estufa de criação de borboletas a abrir ao público. Dentro da localização privilegiada do Jardim Botânico, aproveita a vegetação mediterrânica para servir de habitat às espécies que aqui se conservam e abre as suas portas a todas as crianças que o queiram visitar.

Dentro do jardim do borboletário, os monitores presentes no local estão ansiosos por nos ensinar: nem um minuto tinha passado desde que entrámos e uma das biólogas presentes no local já nos estava a contar curiosidades sobre estas criaturas. Não as podemos ver todas ao mesmo tempo, têm ritmos diários diferentes e ciclos de reprodução específicos, mas parecem quase insensíveis à nossa presença e não há hipótese de nos enganarmos: aqui quem manda são elas.

Desafie os seus filhos a encontrar o maior número possível de diferentes tipos: eles irão ficar maravilhados ao descobrir as formas inteligentes e subtis que as borboletas usam para se camuflar na natureza. Depois, alerte-os para a forma como grupos de borboletas da mesma espécie voam em volta das mesmas flores: também estas criaturas têm as suas escolhas muito específicas sobre as plantas de que se alimentam e onde procuram abrigo. Sente-se por uns minutos e tente contar as diferentes espécies que aqui voam que, podem chegar a mais de duas dezenas e incluem borboletas-monarca, malhadinhas, pavão-noturno ou cauda-de-andorinha.

 

Encontro com a ciência em Cascais

Uma visita ao Borboletário da Quinta da Rana, entre a Parede e Carcavelos, com acesso pela A5, é uma outra hipótese de introdução a este mundo misterioso. Depois de ter estado fechado durante os meses de Inverno, agora podemos observar aqui as diferentes fases do seu muito original ciclo de vida, dos ovos a lagartas, das crisálidas a borboletas. Aqui ensina-se biologia através da observação e os nossos filhos aprendem muito sobre a importância da biodiversidade.

A forma mais completa de conhecermos o Borboletário de Rana é através de uma visita guiada de 50 minutos, que nos leva do laboratório ao jardim, explicando-nos a biologia destas criaturas e a forma como se relacionam com o seu meio ambiente. Construído como um casulo, no interior do borboletário encontramos um jardim com espécies da flora local onde as borboletas voam livremente.

No laboratório, cada um destes insetos pode pôr até mais de 100 ovos. Nem todos serão viáveis e a fase que se segue terá uma grande percentagem de mortalidade, quando as lagartas passam pela complicada passagem a crisálida. É também neste espaço que iremos observar dentro das gaiolas, as lagartas a fazer os casulos que serão abandonados no momento final de todo este processo.

Na zona do jardim, os irrequietos pontos de cor que vemos a saltitar de flor em flor comprovam que aqui, ainda sob a influência da Serra de Sintra, o ar é puro quanto baste para a felicidade destes pequenos seres. De seguida, e porque as crianças são verdadeiros sorvedouros de informação, está na altura de exercitar os conhecimentos adquiridos e seguirmos para o campo: munidos de um guia, o nosso próximo desafio em família vai ser ganho por quem conseguir observar mais espécimes diferentes!