As grutas mais fantásticas de Portugal

7 Fevereiro | 2019 | Goodyear

O programa é para crianças, por isso, muitas destas opções poderão ficar de fora devido à complexidade ou perigosidade do percurso. Mas, como o saber não ocupa lugar eis a nossa seleção de grutas que pode explorar com os seus filhos – nem que seja apenas na Internet – durante os próximos fins-de-semana. Vamos com a Goodyear conhecer o Portugal subterrâneo.

Parque Natural da Serra D’Aire e Candeeiros

Na fronteira entre Leiria e Santarém, por baixo dos solos calcários, estendem-se quilómetros insondáveis de galerias, cavernas e passagens com fantásticas maravilhas para descobrir. O Parque Natural da Serra D’Aire e Candeeiros e as suas grutas de Mira de Aire é o paraíso da espeleologia em Portugal.

Se pretende experimentar um fim-de-semana de exploração subterrânea este é um dos locais que, além de uma beleza natural perfeitamente visível, guarda as maiores riquezas no seu interior. Aqui se escondem grutas e algares, com fantásticas e surpreendentes formas, esculpidas pela água e pelos séculos.

Estabeleça-se no hotel rural Casa dos Matos, em Alvados. Aqui poderá contratar um quia para fazer uma visita de quatro horas a uma gruta. Para lá chegar, as alternativas incluem-se passeios a pé, a cavalo ou de burro, entre outras opções. Para passar um grande fim-de-semana. Pode também optar por um dos 11 bungalows que fazem parte do complexo das grutas de Mira de Aire, muito próximos da entrada.

Há grutas orientadas para receber visitantes, como as Grutas de Santo António, Moeda, Mira d’Aire e Alvados, que dispõem de diversas infra-estruturas de apoio. Aquelas que são indicadas para crianças e outras só para os conhecedores do assunto. Exemplos destas últimas são o Algar da Bajanca, usado como “gruta-escola”, ou o Algar do Cofelo, onde morcegos hibernam.
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As mais famosas e melhor preparadas para receber o turista que quer apenas conhecer um pouco do que se esconde abaixo do chão, sem ter que andar de frontal e capacete na cabeça, são as de Mira de Aire. Fazem parte de um complexo de passagens com mais de quilómetros, mas o visitante só tem acesso a cerca de 600 metros. Apesar disso, a visita é impressionante e obrigatória, convencendo-nos da justiça de serem reconhecidas como uma das Sete Maravilhas de Portugal.

Através de centenas de metros de estrados e escadas de madeira, podemos vislumbrar e reconhecer a imponência da “Galeria Grande”, a “Fonte das Pérolas”, as “Galerias do Polvo”, ou do “Sifão das Areias”, numa sucessão de galerias que se estende até ao interior do Planalto de S. Mamede. A toda a nossa volta, é a água que marca e remarca a paisagem, construindo estalactites, estalagmites e, por vezes, magníficas colunas que vão do teto até ao chão.

Gruta de Alcobertas

Ainda na serra de Candeeiros, em comunhão com a natureza fica a Aldeia de Chãos. Eiras, cisternas e covas do bagaço aguardam pela sua visita. Não se esqueça da lanterna, nem do capacete, para visitar a gruta das Alcobertas, recuperada pela Cooperativa Terra Chã, que está a promover a recuperação e revitalização da região. Esta gruta, com as características estalactites e estalagmites, foi ocupada por humanos há cerca de 15 mil anos. Inclui uma necrópole, com várias salas contíguas, numa extensão de cerca de 200 metros.

A visita inclui ainda uma passagem pela antiga pedreira, de onde se retirava pedra de vidro. A infra-estrutura está Inativa há 45 anos, e a natureza está a reconquistá-la. Atualmente está submersa por arbustos e árvores de pequeno porte. Sem sinalética não se dava por ela. A recuperação transformou a pedreira numa parede para escalar com 20 metros de altura. Aqui, as crianças e jovens podem ocupar os seus tempos livres de verão.

Grutas à flor da terra na praia de Benagil

Diz quem já visitou que é um destinos mais belos de Portugal. A praia de Benagil, no Algarve, é daqueles locais que devem ser visitados pelo menos uma vez na vida. É uma praia, com areal curto entre rochedos onde foram esculpidas pelo mar, durante milénios, grutas que cativam o coração do visitante. São formações que deixam passar o sol pelos buracos do teto e revelam cores cintilantes na aria molhada.

Há várias empresas que organizam visitas às grutas e passeios de barco. A partir das embarcações é possível descobrir a beleza dos algares abertos na rocha ocre, que escondem ainda mais um tesouro: os concheiros, fósseis marinhos de criaturas há muito extintas, numa idade em que o mar chegava mais ao interior. O algar de Benagil é uma gruta roída devagar pela natureza onde só se pode chegar por mar. Está inserida numa praia com um charme ímpar entre os areais de Portugal. Relaxante e muito bonita para desfrutar em família.

Gruta do Natal

Na ilha Terceira, nos Açores, fica a chaminé Algar do Carvão e a Gruta do Natal. Vulcânica, como todo o arquipélago, ninguém pode passar pela ilha sem visitar estes monumentos naturais.

A Gruta do Natal é uma formação geológica única, resultado do fluxo de diferentes tipos de lava. Junto aos Picos Gordos, é um lugar dominado por estruturas geológicas impares. O espaço que é também conhecido como Galeria Negra ou Gruta do Cavalo. Caso esteja fechada a visitas, pode aproveitar para apreciar a Lagoa do Negro, outra paisagem natural inesquecível.

Nas proximidades do Algar do Carvão e da Gruta do Natal vai encontrar outras formações geológicas de origem vulcânica. Nas Furnas do Enxofre pode observar fumarolas com saídas de gases sulfurosos, um sinal da Natureza de que a atividade vulcânica não acabou.

Gruta do Frade, em Sesimbra

Esta não pode ser visitada, mas é interessante saber que, por baixo dos nosso pés pode estar algo de fantástico. Junto à margem norte do estuário do Rio Sado, abrangendo Palmela, Sesimbra e Setúbal, e com o ponto mais alto a rondar os 500 metros, a Serra da Arrábida destaca-se pela sua vegetação tipicamente mediterrânica e por pontos de interesse como o Convento da Nossa Senhora da Arrábida, e uma deslumbrante vista sobre o mar.

O Parque Natural da Arrábida está assente nesta cadeia montanhosa e estende-se além da serra, abrangendo 17 mil hectares, 5.000 dos quais de superfície marinha. Por baixo, grutas. É o caso das da Gruta do Frade foi descoberta em maio de 1996 por um grupo de jovens de Sesimbra. O Núcleo de Espeleologia da Costa Azul, ou NECA, descobriu casualmente esta maravilha que já foi obra de várias publicações com fotos maravilhosas. Aliás, esses livros são para a maioria das pessoas, uma das únicas formas de visitar um tão fantástico empreendimento natural. É um autêntico “tesouro subterrâneo” e, segundo os exploradores, “talvez a mais bela de todo o país”.

É uma cavidade com uma variedade e raridade de concreções inigualável, cujo património deve ser preservado. Fica na Serra dos Pinheirinhos debaixo da Rechã D’Arcos, inserida na unidade tectónica denominada doma da Cova da Mijona. A entrada, situada ao nível do mar, tem origem na atividade de abrasão marinho. O que parecia uma pequena gruta, acabou por revelar-se um conjunto de cerca de duas dezenas de salas, detalhadamente fotografada ao longo das explorações.

Depois do cansaço deste fim de semana, a idade é conceito que passámos a relativizar. Com centenas ou milhões de anos, a pedra não sabe o que é isso do tempo e, século após século , continuará lá, para nos recordar o quanto somos pequenos.

Good Year Kilometros que cuentan