Livraria Tell a Story: conte-me uma história!

2 Junho | 2016 | Goodyear

Um país não é apenas uma colecção de paisagens: há muito mais atrás disso. A história nacional também pode ser construída na entrelinha, dentro desses livros que um por um concorrem para ir conformando a estrutura cultural de Portugal. Infelizmente, quando um turista chega não costuma entrar em contacto com esta realidade subjazente, uma vez que os circuitos turísticos tradicionais sublinham outro tipo de valores.

Mas há quem queira concorrer para resolver esta situação de esquecimento das letras portuguesas entre os visitantes que chegam a nós de fora do país. Uma iniciativa de muito sucesso entre os turistas que visa pôr solução a este problema e colocar a literatura portuguesa como um dos valores mais atraentes do nosso país. Porque Portugal é paisagem, mas também são pessoas e os sonhos que essas pessoas tornam em papel e tinta.

Livros

Tell a Story é uma ideia original; decerto que nunca tinha ouvido falar de um projecto semelhante. Uma livraria que conta quilómetros! Não, não se enganou ao ler: conta quilómetros mesmo. Porque a Tell Story é uma livraria que viaja sobre rodas transportando por Lisboa uma colecção tirada do baú das nossas letras: um leque abrangente de nomes da literatura portuguesa traduzidos para o inglês, o alemão, o francês e o espanhol. Uma clássica e belíssima Renault Estafett de 1975 que vai enchendo quilómetros com histórias, enredos e personagens que todos os portugueses temos no coração.

De dentro desta “Arca de Noé” moderna das letras surge um compéndio de nomes de sempre: clássicos como Eça de Queiroz ou Fernando Pessoa, José Saramago e José Cardoso Pires, e ainda coetâneos nossos como Jacinto Lucas Pires ou José Luis Peixoto, porque a literatura é um fenómeno em constante evolução e metamorfose e os criadores da Tell a Story não o esqueceram.

Com os seus passeios temáticos em vários idiomas, inclusive o português, não há qualquer escussa para demorar a fazer uma visita a este original projecto que faz do papel dos nossos livros o tecido de uma bandeira. Porque como eles mesmos explicam:

“Era uma vez um país nascido com o dom da escrita, um autor que queria contar uma história, um livro que queria ser lido, um turista que não falava português, e uma loja de livros que não conseguia ficar apenas num sítio. Todos eles se juntaram e escreveram uma nova história”.

Uma que vale a pena ir conhecer a Lisboa, para apoiar uma forma original de mostrar ao mundo esse pedaço de Portugal que costuma ficar fora das grandes guias de viagens: o que não se vê, o que não se escuta, o que não se come, mas o que se lê.

Good Year Kilometros que cuentan