MAAT: o mais recente museu da capital

O MAAT já se tornou num ponto de referência no roteiro cultural da capital. Tem propostas para todas as idades e já apresentou a programação para 2019.

Na zona de Belém, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, o MAAT, é a mais recente proposta cultural para a cidade de Lisboa em formato de museu. A programação é diversificada e já se tornou num ponto de referência no roteiro cultural da capital, com propostas para públicos de todas as idades incluindo, naturalmente, as crianças.

O museu cruza aquelas três áreas “num espaço de debate, de descoberta, de pensamento crítico e de diálogo internacional”, como explica o site do museu. O edifício novo foi desenhado pelo atelier de arquitetura Amanda Levete Architects, e está integrado com a Central Tejo, um dos exemplos nacionais de arquitetura industrial da primeira metade do século XX.

A programação do Museu arrancou a 30 de junho de 2016, ainda apenas nas salas renovadas do edifício central Tejo. O novo edifício inaugurou a 5 de outubro desse mesmo ano. No conjunto, os dois espaços visam refletir sobre grandes temas e tendências atuais, apresentando ainda a Coleção de Arte da Fundação EDP.

Programação para todo o ano

Este ano, o MAAT tem previstas 18 exposições, nove internacionais e nove nacionais. Já a 22 de janeiro inauguram três mostras que vale a pena visitar: Hello, Robot (Vitra Design Museum), Carlos Bunga e Ana Santos. Estes últimos foram vencedores de edições anteriores dos Prémio Novos Artistas Fundação EDP. Após estas exposições, estão previstas Special Commissions na Galeria Oval de Jesper Just e Angela Bulloch. Agendadas estão duas exposições coletivas “Ficção e Fabricação” e “Playmode”.

Entretanto, este ano vai ser conhecido o vencedor da 14ª edição do Prémio Novos Artistas Fundação EDP. Mas, alguns dos anteriores novos artistas terão oportunidade de apresentar os seus trabalhamos. É o caso dos já referidos Carlos Bunga e Ana Santos, mas também Vasco Araújo, e de outros artistas que, não tendo vencido, integraram o rol de finalistas: Mariana Caló e Francisco Queimadela, Carla Filipe e Vasco Barata.

No início do ano

“Hello Robot” é uma exposição da Vitra Design Museum, que examina, pela primeira vez, o boom atual da robótica com exemplos de robots domésticos, industriais, na ciência médica, cinema e literatura. É uma exposição para ver até 22 de Abril no edifício Central 1.

No mesmo dia, inaugura a exposição de Carlos Bunga, com curadoria de Iwona Blaswick, na Central 2. A exposição do artista português estará patente até 20 de maio. Na Central 2, estará reunido um conjunto de trabalhos realizadas nos últimos 10 a 15 anos e algumas obras novas. Segundo informação do MAAT, esta será a primeira grande exposição monográfica do artista em Portugal. Através de uma parceria com Fundação Carmona e Costa será inaugurada, em simultâneo, a primeira exposição exclusivamente de desenho, sendo ainda publicado um livro no contexto da exposição no MAAT.

Também no dia 22 de janeiro, e com a curadoria de Ana Anacleto, inaugura a exposição de Ana Santos que estará patente até 20 de Maio, na sala Cinzeiro 8. Na exposição reunir-se-á um conjunto de esculturas inéditas (produzidas para este contexto de apresentação) e que decorrem do desenvolvimento de trabalhos mostrados na sua exposição individual na Galeria Quadrado Azul, no Porto, em 2018.

A jovem artista, de Espinho tem um “obra desdobrada em dois tipos de estratégias produtivas” e “posiciona-se na fronteira entre as grandes tradições escultóricas da modernidade”. Com uma carreira ainda recente, tem desenvolvido um trabalho idiossincrático, despojado, silencioso, colocando a tónica da sua investigação em pequenas ou quase invisíveis ações que vai protagonizando no contexto das exposições individuais que nos tem vindo a apresentar”, detalha o MAAT.

A 19 de março inaugura a exposição “Ficção e Fabricação”, com a curadoria de Pedro Gadanho e Sérgio Fazenda Rodrigues. Estará patente, na Galeria Principal e Video Room até 18 de agosto. Esta exposição pretende analisar o surgimento de práticas fotográficas que, resultantes da influência do campo das artes visuais ou da era pós-Photoshop, introduziram novas tendências e linguagens no modo como a arquitetura é representada. Incluem-se obras de artistas como Thomas Demand, Filip Dujardin, Andreas Gurski, Thomas Ruff, Edgar Martins, André Cepeda, entre outros.

A partir de maio

Em 14 de maio inaugura a exposição dedicada ao prémio novos artistas Fundação EDP, com a curadoria de Inês Grosso, João Silvério e Sara Antónia Matos. Na Central 1, ficará à disposição de todos até 9 de setembro. O prémio, bienal, é atribuído desde 2000 e destina-se à “à revelação de novos valores da criação nacional no domínio das artes visuais”. Entre outros, já foram premiados alguns dos mais importantes artistas nacionais como Joana Vasconcelos, Leonor Antunes, Vasco Araújo, Gabriel Abrantes, Claire de Santa Coloma, entre outros. Os seis a nove finalistas serão conhecidos durante o corrente mês.

No mesmo dia, a 14 de maio, inaugura a exposição de Pedro Tudela, com a curadoria de Miguel Von Haffe Perez, na Sala das Caldeiras. O artista de Viseu tem um percurso longo e multifacetado tendo inicialmente sido reconhecido como pintor, na década de 1980.

Inaugura ainda uma exposição de estátuas do artista francês Xaiver Veilahn, com a curadoria de Pedro e Rita Marques. Será a primeira exposição a ocupar a cobertura do novo edifício do MAAT onde estará patente até 13 de outubro. Algumas das obras vão tornar-se habitantes permanentes da cobertura visitável do museu. A inauguração da exposição coincide com a realização da ARCO Lisboa, assinalando a primeira vez que os públicos deste evento acederão ao MAAT através da ponte pedonal desenhada por Amanda Levete.

As ações previstas para 14 de maio não terminam por aqui. A Special Commission: Jesper Just, com curadoria de Pedro Gadanho e Irene Campolmi estará patente até 2 de setembro na Galeria Oval. Também este evento está relacionado com a ARCO Lisboa. É a sétima instalação especifica na Galeria Oval com uma encomenda ao artista dinamarquês Jesper Just. Segundo o MAAT, a “instalação pretende ocupar toda a galeria e apresentar a peça Servitude, uma instalação vídeo de oito canais com um grande elemento escultórico e arquitetónico, previamente apresentada no Palais de Tokyo (2015), e uma nova instalação vídeo de três canais comissionada pelo MAAT.

No Project Room, na mesma data, 14 de maio, inaugura uma exposição individual de Carla Filipe, com curadoria de Luís Silva e João Mourão. Para ver até 9 de setembro na Project Room. Esta exposição inaugura a programação de 2019 do Project Room – um espaço dedicado à apresentação de artistas portugueses e pelo qual, em mais de um ano, passaram alguns dos nomes mais importantes da produção artística nacional, como por exemplo, João Louro, Ângela Ferreira, Miguel Palma e Grada Kilomba.

O resto do ano

Com inauguração prevista para 4 de junho está a exposição Da Voz ao Corpo de Vasco Araújo, com curadoria de Ana Cachola e Inês Grosso. Até 9 de setembro na Central 2. Esta exposição marca os vinte anos de produção artística de Vasco Araújo – 1999 a 2019.

No mesmo dia, 4 de junho, inaugura uma exposição de Mariana Caló e Francisco Queimadela, patente até 13 de outubro na Cinzeiro 8. É uma dupla artística que irá apresentar um conjunto de obras inéditas associadas a obras recentemente produzidas.

Já em setembro, a 10, inaugura a exposição Playmode, com a curadoria de Filipe Pais e Patricia Gouveia. Ficará patente até 17 de fevereiro. Aqui apresentam-se obras de artistas que compreenderam o poder de transformação do jogo e da brincadeira, integrando-os nas suas obras com propósitos distintos.

Poderíamos continuar a detalhar as exposições que se realizam este ano no MAAT, mas são tantas e tão boas que teremos de ficar por aqui. No entanto, ainda haverá oportunidade para ver obras de Basim Magdy a partir de setembro, para contemplar uma parte da 5ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa, entre 4 de outubro e 2 de dezembro.

Angela Bulooch (a partir de 4 de outubro), João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira (4 de outubro), Vasco Barata (29 de outubro) ou a Artists’ Film International 2019 (29 de outubro) são exposições que rematam o ano no mais recente museu de Lisboa, o MAAT. Não se esqueça de visitar o espaço, que vale por si mesmo, durante este novo ano, com os mais pequenos.