Alcobaça, o secular silêncio do mosteiro

Está a pensar numa visita a Alcobaça e o seu mosteiro? Fique sabendo quais são os locais a não perder

A primeira coisa que pensamos quando ouvimos falar de Alcobaça é, invariavelmente, o seu mosteiro. Não admira, a primeira obra inteiramente gótica da arquitectura portuguesa e uma das Sete Maravilhas de Portugal é uma clara candidata ao nosso “top of mind”. Mas não é a única coisa que vale a pena ser visitada na cidade e nas suas proximidades.

Evidentemente, é o mosteiro que se destaca em todas as guias de viagens, itinerários turísticos e informações sobre a região. Não em vão a história da construção corre paralela à história da própria fundação do país, sendo D- Afonso Henriques o monarca que, após a conquista de Santarém, cedeu o terreno da edificação á ordem de Cister no século XII. A Abadia de Santa Maria de Alcobaça, pois esse é o seu nome completo, foi construída segundo o modelo da casa da ordem em Claraval, na França. Trata-se de um edifício de mais de 200 metros de comprimento e dividido numa tríade de corpos. Uma Igreja com mais de 40 metros de altura na sua fachada, e duas alas, uma a Norte  outr a Sul. Na primeira morava o rei e a sua corte quando visitavam o local, e na outra os monges dirigidos pelo seu abade.

Na visita conseguimos ainda observar as ameias laterais e o portal gótico original. Como edifício submetido às mudanças e caprichos da história, a construção original experimentou profundas alterações que não minguaram a beleza original: acrescentaram encanto mesmo. Os torreões sineiros do XVIII, barrocos como o frontispício, são uma testemunha de como é possível integrar distintas sensibilidades arquitectónicas num conjunto harmonioso e digno de ser declarado pela Unesco, já em 1989, Património da Humanidade. Uma visita demorada tem de incluir, necessariamente, o conjunto das dependências medievais como o Dormitório e  a Sala do Capítulo, bem como o Refeitório ou o Claustro de D. Dinis.

Mosteiro de Alcobaça

É ao mosteiro que devemos, aliás, o surgimento e crescimento de uma comunidade chamada a constituir a moderna cidade de Alcobaça. As doações do rei serviram para constituir os Coutos de Alcobaça, uma rede de domínios territoriais de senhorio eclesiástico que serviriam para fixar população no território, ajudados por uma das primeiras escolas de agricultura de que há notícia em Portugal.

Os Campos do Valado guardam ainda a lembrança daquele esplendor. Situados no concelho de Nazaré, são uma vasta planície de rico solo na veiga do Alcoa. As Granjas dos Coutos de Alcobaça incluem A Quinta do Campo, o local onde no século XIV funcionou aquela escola agrícola. O rasto daqueles tempos continua vivo nestas terras onde ainda a agricultura mais viva e abundante floresce.

Um dos locais de interesse histórico e, desgraçadamente, pouco atendidos no concelho está nas ruínas da Capela de Santana e da alfândega tradicional, em São Martinho do Porto, onde algumas das caravelas dos descobrimentos foram construídas. Com uma paisagem destacada e vista sobre São Martinho, o acesso é condicionado e precisa de uma urgente posta em valor, mas vale a pena conhecer este recanto esquecido de uma época em que Portugal dominou o oceano.

O Museu do Vinho de Alcobaça é um espaço que guarda a memória de uma actividade económica ligada por sempre à região e às ordens monásticas. Com um espólio alargado de mais de 8.000 objectos e construído numa adega do século XIX, a visita ao museu surpreende pela sua minuciosidade, rigor e riqueza. O acervo visa socializar o conhecimento à volta deste produto e da sua importância histórica e económica, representada na enologia, a etnologia, a tecnologia tradicional, as artes gráficas e a arqueologia industrial.

O Mosteiro de Cós é mais uma mostra do barroco português. Este edifício originário do século XIII situado na freguesia homónima possui um interessante revestimento de azulejos dos séculos XVI e XVII de reconhecida beleza, e a sua decoração leva-nos inevitavelmente a lembrar a presença hegemónica da ordem de Cister.

Não esqueça, antes de deixar Alcobaça, experimentar a gastronomia local. Com uma influência evidente dos mosteiros de Cister, o ex-líbris é o pão de ló, uma iguaria nomeada segundo o seu local de origem, Alfeizerão. Porque todas as viagens acabam melhor se acabarem sem fome.