À descoberta do Algarve interior

Para lá da costa, das praias e do sol, há um Algarve serrano que vale a pena ser conhecido. Conheça com a Goodyear as terras interiores no sopé da serra de Monchique

O Algarve não é apenas uma região conhecida pelo turismo de sol e praia. Para lá do litoral onde os turistas escolhem passar as suas férias, geralmente existem outros locais perfeitos para descobrir sossegadamente. Bosques e montanhas florescem apartados da costa em trilhos e recantos muito pouco conhecidos e um bocadinho melancólicos, que recebem a primavera com ânsia. Esta rota distinta do Algarve explora as terras interiores no sopé da serra de Monchique, reptando entre ribeiros frescos e silenciosos bosques de faias, com o pano de fundo insubstituível das aldeias branquíssimas do sul.

    Alvor, os inícios do Algarve clássico

    A nossa rota arranca nesta vila piscatória que cresceu juntamente com o florescente turismo que transformou a face do Algarve para sempre. Porém, o desenvolvimento económico e a massificação turística não conseguiram alterar a beleza de uma ria que continua a ser um autêntico santuário natural objeto de importantes programas de conservação.

    No espaço natural encontramos uma das áreas húmidas mais importantes do sul peninsular onde todo tipo de aves migratórias param durante as suas viagens sazonais: a garça-real e a andorinha do mar são apenas algumas das espécies que os apaixonados pela ornitologia podem observar nesta terra.

    Nas praias de areia branca, embora tenha avançado o turismo como principal área económica, ainda é possível encontrar os restos da velha economia piscatória: os pescadores trabalham diariamente e enchem com a sua carga o cais quando a tarde cai.

    Lagoa, onde reina o aroma do vinho

    Enche o ar o aroma da uva nesta segunda paragem da nossa rota, onde os vinhedos enfeitam a paisagem em todos os cantos. Esta vila é, ao fim e ao cabo, o coração vinícola do Algarve. Lagoa é hoje uma típica vila algarvia que cresceu à volta da sua igreja matriz no topo de uma colina onde a tradição situa, acredite ou não, uma lagoa que deu nome à vila. Sob o sol da primavera um branco imaculado parece querer tingir-nos os olhos.

    Vale a pena uma visita sossegada pelo centro histórico, um labirinto de becos e ruas entre as casas brancas onde é difícil esquivar a herança manuelina: portais, janelas e torres que parecem construidas para olhar para o passado. Mas este espaço histórico não é a única joia da terra de Lagoa. Habitado de muito antigo graças a um clima benigno, o Algarve oculta pontos históricos como a gruta de Ibne-Ammar, à beira do rio Arade. Neste local os achados arqueológicos evidenciam um importante centro humano durante a Idade do Bronze: os portugueses de ontem.

    Algarve - Quilometrosquecontam

    Silves, onde o Algarve desvenda a sua longa história

    A região do Algarve não é apenas uma sucessão de praias esticadas sob um sol ardente que preside um mar azul. O património histórico algarvio, numa terra que foi lar de cristãos e de muçulmanos, de lusitanos e romanos, sempre aparece se o procurarmos.

    Silves é uma vila onde o vermelho do seu castelo, como se fosse a fortaleza de King’s Landing em A Guerra dos Tronos, reina sobre o conjunto do local. Orna a paisagem com a sua viva cor, num contexto claramente gótico com pegadas espalhadas e indeléveis da presença árabe. Sendo o maior castelo algarvio, é uma construção formosa que mergulha as suas origens em época visigoda ou até mesmo romana. Onze torres subsistem após o longo vendaval da história, unidas duas delas à muralha por arcos que aguentam caminhos de ronda. No total são 12000 m2 que oferecem um miradouro excecional com que contemplar uma larga vista da região, ligados à muralha que antigamente tinha três linhas e hoje só deixou vestígios.

    Para lá do castelo, o património histórico local é completado pela Sé Velha, ex-líbris regional, um belo edifício do século XIII-XV construido de grés vermelho tradicional da zona, e a Cruz de Portugal, um dos mais afamados e formosos cruzeiros portugueses com o tradicional Cristo crucificado complementado pela Mater Dolorosa. A nossa visita não pode terminar sem conhecermos a ponte medieval sobre o rio Arade, ligação até tempo recente da cidade com a costa algarvia e o comércio que de lá vinha.

    Monchique, frescura serrana

    Apanhamos a estrada 124 e depois a 266 que nos aproxima da sombra refrescante da serra. Conforme à nossa volta se desvenda a paisagem montanhosa vemos ao longe surgir Caldas de Monchique, o segredo melhor guardado dos romanos que já desfrutavam das suas águas termais, estando aqui o único spa termal do Algarve. A água está especialmente indicada para afeções respiratórias e tratamentos de beleza. Mas o verdadeiro motivo para visitar Caldas está na beleza das suas casas, um conjunto histórico que testemunha fielmente como eram as tradicionais vilas e aldeias serranas.

    Monchique é uma serra peculiar no conjunto das montanhas algarvias. Rochas eruptivas que quebraram, milhões de anos atrás, o xisto que habitualmente forma estas montanhas. Esta anomalia desenhou uma série de montanhas de grande altura, estando aqui situado o ponto mais alto do Algarve, Fóia, 902 metros de altura que contemplam toda a beleza selvagem do Algarve entre Faro, as serras e  São Vicente ou, nos dias claros, as primeiras alturas da Arrábida. O segundo ponto da serra, Picota, oferece também uma vista espetacular, mas é muito mais íngreme.

    A Serra de Monchique é, pois, um território vasto e em muitos aspetos ainda virgem, que desfruta de um clima subtropical marítimo onde podemos encontrar plantas exóticas e endógenas que não se encontram noutros locais da Europa. E, embora semeado de pinhais e eucaliptos, ainda resistem populações de carvalhos e sobreiros, e extensas pradarias onde se perder entre as flores silvestres. Rotas para conhecer as árvores monumentais sulcam a zona, numa descoberta paisagística partilhada entre a sombra dos bosques e as pegadas romanas e muçulmanas. Um local inigualável para finalizar esta descoberta distinta do Sul.

    E a gastronomia?

    A serra é rica em sabores e aromas. Enchidos caseiros de todo tipo nutrem uma bagagem gastronómica profunda e variada: morcelas, farinheiras… Também o presunto curado tradicional é um sabor que irá persistir no nosso paladar muito tempo, bem como o mel, uma das produções tradicionais e típicas da montanha. E, se não conseguir uma adequada digestão, a melhor ajuda é, caso não conduza, um copinho de aguardente de medronho ou de melosa. Porque a serra, acima de tudo, conquista pelo estômago para chegar até ao coração.