Anos 80: já estamos velhos quando nos lembramos de…

Vamos olhar para 4 décadas de evolução tecnológica, desde os anos 80 até aos nossos dias. Como era uma viagem nessa altura? O que mudou nos nossos carros?

Na rádio ouvia-se o relato de 22 homens de fartos bigodes num campo de futebol. Logo a seguir, tocava “I Just Called” e era assim que se faziam memórias naquele tempo. Uma viagem de carro nos anos 80 era uma aventura única. Quem cresceu nessa época sabe que a segurança era um conceito completamente diferente, o conforto era relativo e vivíamos bem com isso. Imagine que, nessa altura, alguém lhe falava de carros com comandos de voz, ecrãs de computador e até envio automático de pedidos de auxílio. Parecia saído de Blade Runner, certo? A verdade é que ainda não temos jetpacks nem carros voadores, mas todas as outras promessas estão a cumprir-se. Acompanhe-nos numa viagem aos meandros da memória para recordarmos o que mudou nos nossos carros nas últimas décadas.

Estamos velhos quando nos lembramos:

1. …de ser “invadidos” por Airbags

Estudados desde os anos 50, seria a Mercedes a apresentar o primeiro airbag num modelo comercial, o Classe S. Estávamos em 1980 e até ao final de década de 90 iríamos assistir à sua massificação. Entraram em cena novas regras que procuraram reduzir a força dos airbags, o público começou a confiar e o resultado foi um número incalculável de vidas salvas. Qualquer humilde utilitário tem hoje airbags para o condutor e passageiros, airbags laterais, etc..

2. …de começar a abrir portas por magia

Era ainda um luxo nos anos 80 encontrar fecho centralizado ou abertura remota. Mas o quão longe já estamos disso. As “smart keys” de hoje em dia já nem precisam de ser colocadas na ignição. É um outro nível de conforto e os larápios também se adaptaram. Depois de dominarem a arte de rebentar com canhões de chave, hoje já se tornaram hackers. Sabia que a sua chave pode até ser copiada remotamente?

3. …de dar furiosamente à manivela

Os primeiros veículos com vidros elétricos chegaram ao mercado na passagem da década de 50 para 60. O Cadillac Fleetwood de 1960 gabava-se de contar com 8 janelas que se podiam abrir e fechar com um botão. A sua inclusão haveria de ser gradual, chegando a todas as gamas até ao princípio do século XXI.

Anos 80: já estamos velhos quando nos lembramos de...

4. …de marcar o asfalto com uma travagem a fundo

Os primeiros exemplos de uso real de um sistema anti-bloqueio de travões vieram da aviação. O ABS chegou depois a topos de gama, como o Chrysler Imperial, ainda nos anos 70, até se tornar equipamento comum no final do século XX. A partir de 2004 que é um sistema obrigatório em todos os carros novos comercializados na União Europeia.

5. …que os nossos carros deformavam-se com menos facilidade (e isso era mau)

Foi em meados dos anos 80 que se iniciou uma mudança de paradigma no desenho da estrutura de um automóvel. Testes de impacto, novos materiais e filosofias de construção resultaram em carros que, em vez da robustez, optam por soluções mais inteligentes. Os engenheiros desenvolvem hoje estruturas que se deformam de maneira programada, protegendo sempre os ocupantes. Em vez de uma solução única e bruta para todo o veículo, com um peso elevado e más prestações, temos hoje carros muito mais leves e, ao mesmo tempo, mais seguros.

Anos 80: já estamos velhos quando nos lembramos de...

6. …de tentar dobrar um mapa de volta à sua forma original

Não havia viagem longa que não começasse com uma passagem de olhos pelo mapa das estradas. Mas em 1978 as coisas começavam a dar os primeiros passos para uma revolução com o lançamento do primeiro satélite NavStar. Até 1994 foram lançados os restantes satélites e todo o mundo, de forma aberta e gratuita, pode começar a aceder aos dados de GPS. Foi só a partir de 2000 que a funcionalidade chegou à indústria automóvel, mas o seu crescimento posterior foi explosivo. Hoje é uma ferramenta que já damos como garantida e é equipamento básico em todos os carros novos.

7. …de fazer workouts de braços durante longas viagens

A direção assistida merece ser incluída no panteão das grandes invenções da humanidade. Houve uma época (e bem longa por sinal) em que era quase preciso lutar com o volante. A direção assistida apareceu no princípio dos 50, mas teria ainda que fazer um longo trajeto antes de se massificar. Os modelos hidráulicos foram substituídos pelos elétricos e até podemos configurar diferentes modelos de resposta. Já há uma geração de condutores que nunca tiveram que lidar com um carro sem apoio à direção e, se não faz parte desse grupo é porque está a caminho de “veterano”. Não se preocupe com isso! Vai ter sempre histórias para contar!