Monverde: verde Zen

Monverde, wine experience hotel. Momentos zen e relax na companhia do vinho verde

A Rede de Capitais de Grandes Vinhedos premiou o Monverde – Wine Experience Hotel com um dos seus galardões “Best of Wine Tourism 2016”, salientando-o entre quase 400 outros nomes a concurso. A organização considerou que, passar uns dias nesta quinta em Telões, Amarante, é uma experiência que “envolve todos os sentidos” e não se coibiu de a colocar ao mesmo nível de grandes adegas e hotéis vínicos franceses, alemães ou argentinos. Na companhia do Tâmega, fomos conhecer uma forma bem zen de apreciar  vinho verde

Vinhos jovens, tão sofisticados como os maduros

Situado na região do Vinho Verde, o Monverde ostenta uma singular e moderna arquitetura que, não destoando em nada da paisagem que o rodeia, é o resultado de um apurado trabalho de recuperação e rejuvenescimento da Quinta da Lixa. Os proprietários iniciaram o projeto com a intenção de receber os seus amigos enófilos, mas com o passar dos anos, “pedra sobre pedra, foi crescendo, ganhou raízes e tornou-se uma coisa séria”

Atualmente, o Monverde abre-se a todo o público interessado em partilhar saberes e sabores, que procure um toque sofisticado e contemporâneo para apreciar o vinho verde da região. Se os jovens e energéticos verdes não são os primeiros vinhos  de que nos lembramos  quando o tema é delicadeza ou subtileza, uma passagem por esta quinta muda de forma definitiva a nossa visão.

 Despertar na vinha

Todos os quartos do hotel se abrem para uma vista das vinhas, recordando-nos sempre do que aqui viemos experimentar: não viemos só pela gula, pelo pecado de apreciar a magia das uvas, mas também para melhor a entendermos, convivermos com os seus ritmos, cheiros e cores. O ambiente resulta da colaboração entre o decorador Paulo Lobo e o arquiteto Fernando Coelho que optaram por materiais rudes, em estado bruto, tons de verde e de terra para nos situarem, sem sombra de dúvida, no local onde começa a viagem épica do vinho.

Em redor, mais de 20 hectares de produção dão a matéria prima para este que é um dos maiores produtores do Alto Sousa. Podemos visitar o centro de vinificação, a pouco quilómetros do hotel, e aí conhecer as diferentes etapas do processo e as linhas de engarrafamento. Se quisermos agarrar numa tesoura e chapéu, há quem nos leve entre as videiras e nos ensina como funciona a poda, a enxertia, o controlo de maturação e a vindima.

Vinho e queijo

 À mesa com as uvas

A próxima fase vai ser determinante: o que fazer com as uvas depois de colhidas? Mediante marcação, o hotel organiza uma sessão a que dá o nome de “Enólogo por 1 dia”, durante a qual nos ensinam o que é isso de “harmonizar” o vinho, dão-nos a provar monocastas e falam-nos do efeitos do “blend” e como se constrói um lote com diferentes variedades. Termine o dia a provar o vinho que acabou de harmonizar no restaurante do chef Marco Gomes e descubra se tem realmente jeito para ser enólogo. Quinzenalmente, aos Sábados, o Monverde Wine Academy promove cursos práticos de vinhos e gastronomia, com conselhos e dicas úteis para o dia-a-dia.

Gastronomicamente, esta região é um desafio para os sentidos e o cozido, o cabrito assado e o arroz de forno são as companhias preferenciais para os bons verdes da terra. A doçaria tradicional, herdada do convento amarantino, está também à venda nas lojas da região, com o Pão-de-Ló de Margaride a ter especial destaque.

Do Minho a Trás os Montes

O cuidado com o “espírito” não morre depois do último golo de vinho. Rituais de banho, tratamentos faciais, massagens e circuitos hidroterapêuticos fazem parte do menu do Spa do hotel, mas toda a região é merecedora da sua visita. Entre Amarante e Felgueiras há um museu a céu aberto do românico que visitámos muito recentemente e que não nos cansamos de recomendar.

A criação do Homem perde destaque perante a força da natureza, com o Tâmega, “o rio divino do sagrado vale” nas palavras de Pascoais, a chegar de Chaves e a fazer destas terras um vale fértil onde grandes vinhos verdes são produzidos e premiados.  É este o rio que avança pelos vales e se engrossa com a água que cai das levadas, na companhia do Marão, a oriente, e do verde Minho a Norte. É terra onde ainda se sentem bem as características do Douro Litoral, mas onde a identidade transmontana e minhota se misturam. E o Monverde Wine Experience incube-se da difícil tarefa de sintetizar tudo isto, passando no teste com distinção.