Olivoturismo: à procura do ouro líquido

Portugal tem um clima invejável para a produção do azeite. Se quer descobrir os melhores do país venha connosco

O azeite aparece unido à história de Portugal quase desde as suas origens. Na maioria das culturas mediterrâneas falamos de uma dádiva dos deuses aos homens e a tradição greco-latina é rica em referências a este produto, já presente no nosso país em tempo dos visigodos. E é também motivo para passeios pelas estradas portuguesas. Já ouviu falar no Olivoturismo?

O produzido no Alentejo é, por certo, mundialmente famoso. Porém, encontramos em Portugal muitos outros lugares em que a base económica agrícola foi e continua a ser, o azeite. Essa longa história deixou pegadas sob forma de velhos lagares ou rotas turísticas que começam a ser bem divulgadas e conhecidas graças ao olivoturismo.

Contudo, é no Alentejo que tradição está mais viva. É ainda a região portuguesa com maior produção de azeitonas e azeite tanto em modo semi-intensivo como intensivo.

Das seis Denominações de Origem Protegida, três dizem respeito ao Alentejo. São o azeite do Norte Alentejano, o azeite do Alentejo interior e o azeite de Moura. Do valor deste último dá boa fé aquele velho provérbio que diz “tão fino como o azeite de Moura”. É um compêndio da azeitona Cordovil, a suave Galega e a Verdeal, reunidas para produzir um aroma e um sabor muito distintivos, com uma tonalidade invulgar. São azeites de Moura os produzidos em Moura, Serpa e Vila verde de Ficalho. Quanto ao azeite do Alentejo Interior, é produzido em Portel, Viana do Alentejo, Alvito, Beja, Cuba, Ferreira do Alentejo, Vidigueira e Alcácer do Sal. Saiba tudo sobre a Denominação de Origem Protegida no site da Casa do Azeite.

Museus vivos

Em Moura é paragem obrigatória uma visita ao Museu do Azeite. Aqui o visitante pode contemplar o Lagar de Varas de Fojo, em funcionamento durante um século entre 1841 e 1941. Este lagar era “à maquia”: usado à vontade deixando em pagamento uma porção do azeite.

Para os trabalhadores do lagar nasceu a tiborna, o característico pão com azeite e sal do Alentejo e Olivença. Se já acordou em nós a fome, a seguinte paragem recomendada é o restaurante Sem-Fim, na aldeia de Telheiro. Situado num antigo lagar, faz do azeite uma das suas razões últimas: o bacalhau d’azeite alhado é um bom exemplo que vale a pena experimentar.

Se continuarmos viagem para o Norte, chegaremos à beira, lar dos azeites Beira Baixa e Beira Alta. Como região de transição no centro de Portugal, é um lugar de contrastes que dá como resultado azeites muito diversos. Afinal, são 24 concelhos produtores onde as encostas sobre o Tejo vão deixando lugar aos horizontes de latifúndio meridionais.

O Museu do Azeite de Belmonte dá a conhecer ao turista as técnicas de produção históricas do azeite na zona, e uma sessão de história centrada tanto no mundo como em Portugal, sendo de especial interesse “A Oliveira em Portugal” e o “Ciclo anual da cultura da oliveira e a produção de azeite” para quem quiser ser o mais entendido na próxima reunião gourmet. Entretanto, no Museu funciona um restaurante panorâmico onde experimentar a produção local desta dádiva de Ísis segundo os egípcios.

Parte da História

Idanha-a-Velha, uma das aldeias históricas de Portugal, aparece nesta rota graças não unicamente às suas centenárias oliveiras que parecem ter parado o tempo, mas pelo interessantíssimo Lagar de Varas restaurado pelo Centro Cultural Raiano. Datado no século XIX, continuação de um mais antigo, alberga um pio de granito para a moagem, um eixo de ferro e a almanjarra onde os bois eram atrelados. Ainda se conservam também as tulhas de azeitona. É, por certo, uma viagem para o passado histórico da economia local, um relato de sacrifício e trabalho duro.

Na mesma Idanha-a-Nova ainda resta mais uma visita. Vamos aos lagares de Proença-a-Velha, um velho complexo agrícola recuperado e trazido para a vida para mostrar ao visitante os trabalhos tradicionais no fabrico de azeite. Ribatejo, em direção a Lisboa, é mais um centro DOP do azeite português. Santarém, Tomar ou Torres Novas são cidades que não podem perceber-se sem a contribuição histórica do azeite nas suas economias.

No Norte, em Trás-Os-Montes, chegamos à derradeira paragem desta rota por todo o país. No nordeste de Portugal achamos a “Terra Quente” que engloba concelhos como Alfândega da Fé, Vimioso ou Carrazeda de Ansiães. Hoje em dia é por volume o primeiro produtor de azeite nacional. Existem muitas rotas distintas que sulcam a região e permitem uma aproximação da paisagem de bicicleta, a pé ou de carro, Entre a miríade de explorações de azeite de pequeno tamanho, em muitas delas ainda podemos contemplar lagares tradicionais. Esta terra montanhosa concentra grande variedades de oliveiras que servem para produzir um azeite de qualidade a nível mundial.

Como provar azeite?

Uma edição recente da revista da Casa do Azeite explica como se deve provar azeite.

– Verte-se 15 ml de azeite num copo de cor azul escura para que a cor deste não seja apreciada.

– Em seguida, deve colocar uma mão no topo do copo e outra por baixo, para aquecer o azeite (28º graus é a temperatura ideal) para libertar as componentes que conferem o cheiro e o sabor ao azeite.

– Mover ligeiramente o azeite no interior do copo, remover a mão que se encontra no topo e inspirar lentamente. Volta-se a tapar e por fim, remove-se a mão que se encontra a tapar o copo.

– Deve então engolir uma pequena porção de azeite que deve percorrer toda a cavidade bucal e descer à garganta. Quando o azeite se encontra perto da garganta é bastante importante inspirar algum ar para que se tenha a perceção das sensações retro nasais.

– Entre cada azeite provado deve-se beber água e comer maçã para limpar a cavidade bucal.

– Pode também provar diversos azeites com pedacinhos de pão branco, o mais neutro possível. Não terá a mesma perceção de todas as características do azeite, mas também pode ser divertido, e uma ótima ideia para uma entrada diferente para aquela refeição.

Onde provar azeite?

As degustações de azeite são cada vez mais procuradas. Eis alguns exemplos que escolhemos para si, nem sempre nas regiões de produção, mas com ambientes acolhedores e conhecedores.

Lembre que o melhor nesta rota é a experimentação direta e pessoal. Aproximar-se dos velhos e novos lagares para se interessar pela sua história e modos de produção são a melhor forma de entrar em contacto com os produtores que, amáveis e acolhedores, partilham o seu rico acervo gastronómico, histórico e cultural com o visitante. Em muitas das cooperativas DOP pode experimentar e adquirir o azeite lá produzido, e informando-se nos centros turísticos dos concelhos pode aceder às rotas organizadas que são o maior tesouro destas terras: paisagem, aromas e uma sabedoria milenar.

Na região de Abrantes pode provar azeite em, pelo menos, três locais. Na Casa da Anadia, na Quinta do Bom Sucesso, em Alferrarede é preciso marcar e o preço por pessoa varia. No Zé Bairrão, em Abrantes, também por marcação, seis a 10 pessoas podem provar azeite em ambiente agradável. Também a Sociedade Agrícola Ouro Vegetal, também em Abrantes, realiza provas de azeite mediante marcação. O número mínimo de pessoas é também seis e, mais uma vez o preço médio por pessoas é variável.

Nos olivais alentejanos

No Alentejo, em Évora, pode visitar quintas e provar o azeite, diretamente na quinta do produtor. É o caso da degustação sugerida pelo Visitevora, perto de Azaruja, a 20 quilómetros de Évora e a menos de 45 quilómetros de povoações bastante como Evoramonte, Arraiolos, Estremoz, Vila Viçosa ou Redondo. Pode participar numa experiência em família, mantendo manter uma boa conversa sobre o Alentejo, o olival e o azeite. São aproximadamente 120 minutos de prova, sob marcação. A degustação de azeite é organizada e realizada pelo próprio produtor, que detém todas as licenças legais necessárias.

Finalmente, mais a Sul, uma outra prova de azeite também por marcação tem lugar no Monte da Ribeira. A visita permite conhecer a produção tradicional de azeite, desde a lavagem e moagem até à depuração do óleo. Nesta visita, promovida durante duas horas, fica a conhecer as diferenças que existem entre vários azeites, as suas categorias e provar este produto tão tradicional e presente na cozinha portuguesa. A atividade só está disponível em novembro, mediante pré-reserva e confirmação de disponibilidade.

  • Sonia Patricia Curio

    adorei o site