Noudar, um segredo na margem do Guadiana

28 Outubro | 2016 | Goodyear

Sob a vigilância do Castelo de Noudar, a vila de Barrancos é terra de gente orgulhosa mas honesta que tem muito mais para contar do que as histórias dos toiros que tantas vezes a trazem às páginas dos jornais. É também uma zona de grande beleza natural que poucos portugueses visitam, mas que está repleta de vida selvagem e de recantos convidativos a longos passeios de fim de semana. A Goodyear foi até ao Parque da Natureza de Noudar para conhecermos a “brama” dos veados e acabamos por descobrir um dos segredos ainda bem guardados do nosso país.

A margem esquerda do Guadiana tem uma identidade muito própria, fruto de anos de isolamento que a tornaram mais próxima de Espanha do que de Lisboa. O rio pela frente e os meios próprios da região primeiro dificultaram, depois tornaram irrelevante, uma relação mais próxima com a capital. Barrancos fica a cerca de uma centena de metros da fronteira e poucas vezes a expressão “isto é outro Portugal”, teve tanto sentido. Claro que todos os países são feito destes contrastes, mas um fim de semana em Barrancos é uma viagem por uma forma muito original da portugalidade.

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Sob o olhar do Castelo de Noudar

O Castelo de Noudar, agora em ruínas, era o ponto central da região até ao séc XVI mas foi progressivamente perdendo relevância para Barrancos, a cerca de 6 quilómetros. Hoje em dia só tem a companhia de uma paisagem agreste que o isola de tudo e criou à sua volta um pequeno oásis. O Parque de Natureza de Noudar está dentro da Herdade da Coitadinha, local onde escolhemos passar duas noites, e tem um mundo de actividades para preencher uma escapadela.

O alojamento faz-se em formato descontraído na Casa da Malta ou, mais recatado, na Casa do Monte. O grande salão com tetos abobadados, vistas para o castelo e uma lareira para as noites frias, é talvez a mais bela e nobre peça de arquitetura da casa. A espaçosa e soalheira varanda da casa do Monte é o local para se despedir do sol, quando se põe por detrás da colina.

Caçadores com lentes ao pescoço

Um dia passado no parque tem que incluir uma máquina fotográfica sempre pronta a disparar e a época é a ideal para belíssimas fotos de veados. Vive aqui um dos maiores núcleos em Portugal e, até ao Inverno chegar com toda a sua força, os veados machos estão na altura da Brama. É nesta fase que procuram fémeas e exibem-se às futuras companheiras com berros e lutas entre concorrentes. Se o leitor vier aqui nesta altura, procure acompanhar-se de um guia experiente, pois os animais ficam nervosos, imprevisíveis e não toleram estranhos no seu espaço.

Em toda a extensão do Parque, não faltam animais para observar, flores e plantas para apreciar, entre as quais a fuinha, a lontra, o texugo, a geneta, a raposa, a lebre, o coelho, o sacarrabos, a doninha, o javali ou, entre as 200 espécies de aves que aqui habitam, o grifo, o melro azul, a cegonha preta, a toutinegra real e o picanço barreteiro. Se não os consegue reconhecer, não se preocupe: nós também não sabemos e não foi por isso que não nos deliciámos com tudo o que vimos.

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Para além dos percursos pedestres, devidamente assinalados por nível de dificuldade, a visita ao parque pode ser feita numa das bicicletas alugadas ou num dos veículos eléctricos aqui disponíveis. Foi nestes “Noucar” que partimos em visita aos moínhos de água do Porto da Vinha e do Castelo e à Torre de Vigia, num dia em que comprámos um dos cestos de piquenique do parque e nos sentámos à sombra de uma azinheira.

Aproveite esta “meia-estação” e a desculpa dos rituais de acasalamento dos veados para um último fim de semana de natureza antes que o frio e a chuva se instalem. Vai ver que sairá de Noudar com o sol alentejano a aquecer-lhe a alma para o resto do inverno.

E ainda…

Se todos os recantos de Noudar não forem suficientes para lhe preencher um fim de semana, a zona é bem rica noutros motivos de interesse para todo o tipo de viajante, desde o guloso, ao enófilo, passando pelo curioso da natureza até ao astrónomo amador. O Alentejo continua a estar no top 10 dos destinos enófilos, a vila medieval de Monsaraz ainda não perdeu pitada do seu charme, Barrancos mantém-se famosa pelo seu presunto e o Alqueva está em vias de se tornar um dos melhores destinos nacionais de férias.

Good Year Kilometros que cuentan