Porto: entre as francesinhas e o rio

Podemos percorrer o país de norte a sul que não iremos mudar de opinião: se quisermos uma boa francesinha temos de passar, obrigatoriamente, pelo Porto

Há muitos motivos para visitar uma cidade. A sua história, o seu património ou as atividades que oferece ao visitante são todos fatores da equação. Mas, com toda a certeza, não são os únicos a determinar a escolha final. A gastronomia é parte incontornável do legado cultural de uma região e são muitas as vezes que arriscamos um desvio no percurso para visitar “aquele” local, com “aquela” iguaria que nos apaixona.

A gastronomia tradicional portuguesa é rica e variada, mas às vezes temos vontade de apreciar “hits” mais modernos, mas não menos tradicionais, como a francesinha. Podemos percorrer o país de norte a sul que não iremos mudar de opinião: se quisermos uma boa francesinha temos de passar, obrigatoriamente, pelo seu local de nascimento: o Porto.

Não é por acaso que é na joia do Norte que encontramos as mais afamadas francesinhas do país. Foi aqui que nasceu esta já clássica iguaria, a partir da imaginação de Daniel David Silva, emigrante regressado de França que quis trazer para a gastronomia portuguesa uma receita tipicamente francesa, o croque-monsieur, melhorada com o molho, uma “poção” a que cada cozinheiro de francesinha acrescenta um segredo.

As marcas de Nasoni

A cidade nortenha oferece ao visitante um centro histórico, considerado pela UNESCO Património Mundial, que é um exemplo de integração correta de arquitetura clássica e contemporânea. Na antiga Capital Europeia da Cultura, o visitante pode conhecer a Torre dos Clérigos, um gigante de 75 metros de granito e mármore, com função sineira e integrada na Igreja do mesmo nome. Reconhecida como um dos ex libris da cidade, foi construída no século XVIII sob direcção de Nicolau Nasoni. Na altura da sua construção esta maravilha era o edifício mais alto do país, e pode ser visitada pelo visitante mais audaz e curioso para desfrutar de uma vista inacreditável sobre o Porto.

O turista interessado no património monumental da cidade pode ainda visitar o Paço Episcopal, edifício do século XIII cujas remodelações em meados do século XVIII foram também obra de Nasoni. Aqui encontramos um dos expoentes do barroco português, de uma beleza arquitectónica assinalável, com as suas janelas emolduradas, atrás das quais parecem esconder-se fantasmas do passado.

Para apreciadores de passeios fluviais, a cidade oferece alternativas com palco no Douro, alma prateada que atravessa a Invicta. Diversos operadores fluviais permitem percorrer as águas para descobrir uma outra perspetiva sobre o “velho casario que se estende até ao mar”.

 

Francesinha

 

De volta ao prato

Mas estávamos a falar de francesinhas. Dedicar um fim-de-semana a apreciar este presente dos deuses à humanidade, envolto em molho? Há muita gente que o faz e que se presta à aventura de visitar o Porto de propósito, só para se sentar em um dos locais de culto especializados nesta iguaria. É um prato que nasce do povo, com imensas variantes, e que da brasserie mais “chique” ao mais popular tasco, mantém sempre o mesmo espírito: carinho e saber ao serviço das delícias da cozinha.

O visitante pode ficar um pouco perdido quando chega à cidade com vontade de aconchegar o estômago. Em poucas linhas não temos espaço para mais do que dois ou três locais recomendáveis, mas há alguns que não podemos deixar de aconselhar. Um das capelinhas já famosas é a Santa Francesinha, na Rua dos Poveiros 72. Considerada por alguns “a melhor francesinha do Porto”, não deixa ninguém indiferente depois de provar aquele molho. Não muito longe, na Rua de Santa Catarina, iremos encontrar a segunda paragem da nossa peregrinação. Aqui fica o Restaurante Bufete Fase, cujas francesinhas têm fama de excepcionais. Os clientes são unânimes: se não gostar das francesinhas do Bufete Fase é porque, muito provavelmente, não irá gostar em mais lado nenhum.

Com tal motivo de orgulho, é normal que tantos sítios apregoem ter a melhor francesinha da cidade. Experimente por si próprio e depois conte-nos onde encontrou a sua francesinha preferida.