Rota do presunto ibérico: de Jabugo, capital do jamón, a Barrancos, capital do presunto

10 Novembro | 2015 | Goodyear

Cada vez que comemos um pedaço de presunto ibérico, desfrutamos com os cinco sentidos. É uma sensação tão gratificante que sempre estamos dispostos a desfrutar de um bom presunto, e de um vinho para o acompanhar. Este produto tão extraordinário tem também uma origem singular. Para chegar à nossa mesa, têm de passar muitos meses, desde a criança do porco ibérico na Dehesa até que sai dos secadouros pronto para o consumo.

Vamos pois até ao Sudoeste da Espanha para propor-lhes uma rota de 3 dias, perfeita para uma escapadela, que fá-nos-á conhecer a fundo a origem e processo de elaboração do Presunto Ibérico. Começaremos nas serras do Norte de Huelva, passando depois à “Dehesa extremeña” e finalizaremos em Portugal, onde também o presunto é objeto de uma elaboração distinta.

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    Rota ibérica de outubro a fevereiro

    Não vou pôr restrições para realizar esta Rota ibéria, mas a recomendação é entre os meses de outubro e fevereiro. Neste tempo decorre a “Montanera”, o período no qual os porcos ibéricos andam à solta pela Dehesa e se alimentam de bolotas. A Dehesa é um território que se encontra entre Andaluzia e Estremadura. Uma ecossistema único, com grande presença de azinheiras e sobreiros, que proporcionam as preciosas bolotas, a chave do bom Presunto ibérico. Com esta alimentação a base de bolotas, vai-se gerando a conhecida infiltração de gordura na carne do presunto, que depois irá indicar-nos a qualidade, sabor e textura do produto. Antes de começar a viagem, um aviso para navegantes, já que desde há já mais de um ano entrou um novo Regulamento para denominar e identificar o presunto Ibérico. Em base a um código de cores: negro, vermelho, verde e branco:

    – Brida de cor negro, Bolota 100% Ibérico: presunto de porco 100% ibérico. Alimentação exclusiva com bolotas.

    – Brida de cor vermelho, Bolota Ibérico: presunto procedente de animais mestiços, de raça ibéria e raça Duroc. Alimentados com bolota.   

    – Brida de cor verde, cebo campo ibérico: presunto de animais alimentados com penso em explorações ao ar livre.

    – Brida cor branca, porco Ibérico: presunto de animais criados com uma alimentação baseada no penso, em granja e de modo intensivo.

    Presunto ibérico

    Dia 1: Cortegana, Jabugo e Aracena

    O nosso périplo começa na Serra de *Arcena, no norte de Huelva, território do Presunto denominação de Origem Huelva. Para muitos, o santuário do presunto Ibérico, já que aqui está a localidade de Jabugo. O primeiro ponto da etapa é a preciosa vila de Cortegana, com os seus becos serpentantes, que se vão elevando para o cerro do seu Castelo. Desfrutando do caminho, podemos comprar algum produto do porco ibérico e tomar alguma tampa típica, como os Miolos com chouriço ou os “distraídos?” (pão com toucinho e tomate). 

    A escassos quilómetros, em plena natureza, encontra-se Propiedad rural Montefrío, um local onde desfrutar da Dehesa em todo o seu esplendor. Contam com Granja ecológica, casas rurais, restaurante, e  um espaço para a cria do porco ibérico. Especialmente recomendado para ir em família, com as crianças. Pelo N-433 dirigimo-nos para Jabugo, a localidade quiçá mais conhecida no mundo do Presunto. Nela se encontram a maioria de secadouros onde se curam os presuntos ibéricos da Dehesa.  É quase obrigado a visita a alguma das fábricas/secadouros, como a  de Sánchez Romero Carvajal, onde se elabora o famoso presunto Cinco Jotas. Durante a mesma, conheceremos todas as fases de produção do presunto, e terminaremos com uma degustação.

    Em Jabugo podemos aproveitar para comer, na mesma adega Cinco Jotas ou no Restaurante Montesierra. Também  pode optar por fazer um tour a “tapear” pelos bares doa vila. Seguinte paragem do dia, Aracena, a capital da Serra e comarca. Chegaremos após percorrer 20 quilómetros pelo N-433, desde Jabugo. Aqui a estrela indiscutível volta a ser o porco e o presunto ibérico. No alto da vila encontram-se as ruínas do Castillo, desde onde as vistas são espetaculares. No pólo oposto, nas profundidades da terra, podemos visitar a “Gruta de las Maravillas”.  Não podia faltar o “Museo del Jamón”, onde nos mostram o processo completo de produção do presunto ibérico. Desde a sua criação até o consumo final.

    Para comer/jantar: Tapas Jesús Carrión, Mesón El Postigo, El Rincón de Juan. Para dormir: La Casa Noble, Propriedad rural BuenVino, Hotel Aracena Park.

    Presunto - Quilometrosquecontam

    Dia 2: Monesterio, Higuera la Real e Frenegal de la Sierra

    Após passar pela serrania de Huelva, vamos para terras estremenhas. Seguimos a N-433 (direção Sevilha), para depois continuar pela estrada de via dupla A-461 até Santa Olalla del Cala. À sua altura encontramo-nos com a Estrada de via dupla da Prata (A-66), que irá levar-nos diretamente até Monesterio, primeiro destino do dia.  É o passo natural desde terras andaluzas para a Via da Prata, desde tempos dos romanos. Hoje é uma etapa importante nesta rota do Caminho de Santiago. Um local emblemático para observar a Dehesa estremenha e conhecer o seu presunto ibérico, com denominação de origem.  É muito conhecido o Presunto de Monesterio, que celebra a sua grande festa no Dia do Presunto, no mês de setembro. Um sem-fim de atividades desenvolvem-se em torno deste produto, que é o motor económico da localidade. São visitas obrigadas o Museu do Presunto e o Mosteiro de Tentudía. E outro ponto forte de Monesterio é a sua Gastronomia, que evidentemente gira em torno do porco ibérico. O Restaurante El Rnconcillo é um bom local para comprová-lo, com o chef Antonio Parra aos comandos. Após a comida, seguimos rota pela Dehesa, em direção a Higuera la Real, pela estrada EX103. Um trânsito de uns 45 minutos e chegaremos a este ponto importante da Rota, já que aqui está o Centro de Interpretação do Porco Ibérico. 

    Estremadura - Quilometrosquecontam

    Para jantar e fazer noite iremos até a próxima Frenegal de la Sierra, cheia de história e tradição. Destaca o seu Castelo templário, em cujo interior se encontra a Praça de touros e o Mercado de Abastos.  O passeio pelo seu bairro histórico é mágico e acolhedor. Ruas cheias de edifícios brancos, casas apalaçada e salpicadas de igrejas, que delatam o seu passado templário.  Para “tapear”, tomem umas “cañas” no Bar Nito, muito conhecido e emblemático. Um bocadinho de presunto, uma sopa de grãos de bico ou uma carne ibéria à grelhada, são os acompanhamentos perfeitos para entrar em matéria. A carne de porco ibérico está presente em todos os locais, embora também haja outros pratos típicos desta terra como são os miolos estremenhos, o bacalhau “engazpachao” e a caldeirada de borrego.

    Para jantar: La Dehesa, Mesón Pedro Carloto, La Montanera. Para dormir: Hotel Cristina, Hotel Sierra Frenegal, Hotel Rural El Castillo (em Segura de León).

    Gastronomia presunto - Quilometrosquecontam

    Dia 3: capital do presunto

    O presunto ibérico também é protagonista no nosso país como é no vizinho, de modo que aproveitaremos para estender a rota para casa.  A só meia hora temos a fronteira, e ali dirigimo-nos pela estrada EX301, até a localidade de Barrancos, Capital do Presunto. Estaremos na zona do Alentejo, que se estende até o Atlântico. Mudamos de país voltando ao nosso, mas a paisagem é similar, com azinheiras e sobreiros dominando o terreno. Os povos são pequenos, de casas brancas e com muita história. Em Barrancos também encontraremos um Castelo medieval dominando do alto, obrigado em tempos de disputas com a Coroa da Espanha. Encontraremos típicas mercearias onde comprar o Presunto de Barrancos DOP e outros enchidos e produtos derivados do porco alentejano. Como referência, a Casa do Porco Preto é sinónimo de qualidade e tradição.  

    Prosseguimos a rota até a próxima Moura (48 km), outro pitoresco enclave do Alentejo, onde desfrutar de um bom passeio pelas suas ruas e parques. É recomendável visitar o castelo, o Museu de Moura, o Convento do Carmo, o Museu do Azeite e o Jardim das Oliveiras. Para comer há bastante oferta, baseada na comida típica do Alentejo. Uma boa opção é parar em “O Trilho”, um local acolhedor e com uma carta tradicional. Perfeito para mergulhar na gastronomia da zona. Para passar a noite na localidade, as opções que vos recomendamos são o “Hotel de Moura”, com um precioso edifício apalaçado, e o “Hotel Passagem do Sol”, mais pequeno e familiar.

    Gastronomia Espanha - Quilometrosquecontam

    Quem é que não gosta do presunto?

    Já vêem que tudo gira ao redor do porco ibérico, o principal protagonista da nossa história. Uma raça autóctone perfeitamente adaptada ao médio que ao longo do tempo foi desenvolvendo as características que a faz especial e diferente. A sua vinculação com os povos da Espanha e Portugal entende-se como uma forma e uma maneira de viver.  Povos desconhecidos, paisagens ondulantes de tons ocres entre Espanha e Portugal são os melhores embaixadores para uma rota que não podes perder. Um caminho que farás sem preguiça em que reconhecerás com dedicação, o incansável trabalho de quem fazem possível que possamos degustar um dos manjares mais maravilhosos que existem. Quemé que não gosta do presunto? 

    Também podes informar-te in situ em todas as zonas desta rota, nos postos de turismo da cada povo, se podem organizar multidão de atividades como provas de produtos do porco ibérico, exibições de corte de presunto, rotas em bicicleta pelo campo, passeios em 4×4? E não esqueças visitar alguma fábrica, é onde comprarás o melhor presunto. Você espera porquê?

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