De Guimarães a Valença do Minho: a rota da fundação de Portugal

2 Setembro | 2019 | Goodyear

Foi entre os rios Minho e Douro que nasceu o nosso país. Antes da aclamação de D. Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal, em 1139, o território que hoje ocupa a região norte levou o nome de Condado Portucalense, vassalo do reino de Leão embora dotado de autonomia administrativa. O conde D. Henrique de Borgonha, depois de Portucale, estabeleceu a capital do condado em Guimarães e foi precisamente na hoje conhecida como cidade-berço que começou a nascer Portugal.

E é precisamente em Guimarães que começamos esta pequena rota improvisada pelos locais que marcaram o início da que é, ainda, uma das nações mais antigas da Europa e do mundo.

Muito mais do que um castelo

Não existe, provavelmente, cidade portuguesa mais histórica do que Guimarães. Com mais de um milénio de vida, foi em Vimaranes, como começou por chamar-se, que nasceu D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. O centro histórico vimaranense, dominado pelo castelo e pelo Paço dos Duques de Bragança, está classificado como Património Mundial da UNESCO e nunca nos deixa esquecer o glorioso passado histórico da cidade-berço.

Entre os muitos locais de interesse de uma cidade ainda hoje dotada de sabor medieval, o destaque vai, naturalmente, para o Castelo de Guimarães, cuja edificação remonta ao século X e onde terá nascido Afonso Henriques. Junto ao castelo fica o Campo de São Mamede onde se travou a batalha com o mesmo nome que opôs D. Afonso Henriques à sua mãe D. Teresa e cuja vitória do primeiro foi essencial para a criação do reino de Portugal.

É também no centro histórico que encontramos o Padrão do Salado e a Igreja e Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, que alberga o valioso Museu Alberto Sampaio. Passando os Paços Municipais, coroados de ameias, a Praça de Santiago acolhia os peregrinos que na Idade Média se dirigiam a Compostela, tal como hoje acolhe os residentes e turistas nos seus restaurantes e esplanadas. Na Rua de Santa Maria, que faz a ligação à cidade alta, ficam o Convento de Santa Clara, a Casa do Arco e outras casas nobres.

Para termos outra visão da cidade vale a pena subir de teleférico ao Monte da Penha, nos arredores,  para um dos mais belos panoramas do norte de Portugal, onde fica o Santuário de Nossa Senhora da Penha.

Onde comer: Mesmo no centro de Guimarães, perto do Largo do Toural, fica o Le Babachris, pequeno restaurante com apenas 25 lugares onde o menu muda todas as semanas consoante a oferta do mercado. Experimente também A Cozinha, distinguido em 2018 como o restaurante com melhores práticas ambientais do mundo.

O Recontro de Valdevez

Saímos de Guimarães na direção norte, deixamos Braga para trás e, 75 quilómetros depois, chegamos a Arcos de Valdevez, vila que entrou para a história de Portugal graças ao Recontro de Valdevez (também conhecido como o Torneio de Arcos de Valdevez), episódio decisivo na fundação da nacionalidade. Reza a história que na primavera de 1141 D. Afonso Henriques evitou uma batalha a sério com os leoneses com a realização de um torneio para o qual foram selecionados os melhores cavaleiros de ambos os lados. A opção, que serviu também para poupar recursos perante o avanço árabe, deu a vitória aos portugueses, o que acabou por ser uma sorte já que o exército de Leão era bem mais numeroso.

É em Arcos de Valdevez que se encontra uma das cinco entradas do Parque Nacional da Peneda-Gerês (onde está integrado concelho), a Porta do Mezio, hall de entrada para os magníficos vales do Soajo e da Peneda. 

Já o Paço da Giela, um dos mais importantes monumentos do concelho e classificado como monumento de interesse nacional desde 1910, é um dos mais interessantes exemplos de habitação nobre integrada no meio rural da Idade Média em Portugal.

Onde comer: O restaurante Costa do Vez tem mais de três décadas de existência e o cabrito assado e os pratos de bacalhau encabeçam o menu. Outro local onde vale a pena comer é a Casa Real – O Matadouro, onde a carne barrosã é que manda.

Contrasta (hoje é Valença)

Continuando para norte, chegamos ao Rio Minho, fronteira natural entre Portugal e Espanha, e a Valença, cidade raiana que serviu de base às tentativas de D. Sancho I, o segundo rei de Portugal, para conquistar as localidades galegas de Tui e Pontevedra.  Então chamada de Contrasta, Valença do Minho viu nascer São Teotónio, o primeiro santo português e um dos principais aliados de D. Afonso Henriques por altura da proclamação da independência.

A cidade é marcada pela Fortaleza de Valença, uma das principais fortificações militares da Europa,  com cerca de 5 km de perímetro amuralhado, sobranceira ao rio Minho, frente a Tui, e que é hoje um espaço de convivência galaico-minhoto, comercial e turístico por excelência.

Onde comer: Dentro das muralhas da Fortaleza encontra-se o restaurante com o mesmo nome, onde o prato forte é o bacalhau à Fortaleza. Não muito longe fica o restaurante da Pousada de Valença do Minho, onde o menu é dominado pelos pratos regionais.

Good Year Kilometros que cuentan