O Algarve: onde o sul termina

7 Março | 2016 | Goodyear

A primavera está prestes a arrancar, e o seu começo habitual sempre é pelo Sul, de onde se esparge para o Norte com firmeza e determinação, desvendando o verde acima dos tons grises e brancos do inverno. No Portugal mais meridional, sobre as águas de um Atlântico que já pousa o olhar sobre as velhas rotas de ultramar que abriram as portas da circum-navegação da Terra e das descobertas do Brasil ou os Açores, quando Portugal deu cabo da sua Reconquista e começou a olhar para o mundo que rebentava no Oeste, lá é onde podemos explorar mais uma rota perfeita para receber a nova estação. Uma viagem que visa acabar no cabo de Santa Maria, onde Portugal termina pelo Sul. Para Além, o mar e a África.

A rota dá-nos a oportunidade de conhecer o sapal da Ria Formosa, uma das reservas e formações naturais mais importantes do nosso país do ponto de vista da flora e fauna autóctone e endógena. Começamos com a Ria Formosa na esquerda, lotada de ilhotas e de canais, que rescendem perenemente a mar, essa mistura de sal e terra, rocha e algas. Estamos na cidade de Olhão, o segundo porto pesqueiro em importância para Portugal e local muito importante na história nacional: aqui um alçamento contra os franceses espantou o na altura príncipe reinante Jõao VI pela sua coragem.  Hoje Olhão é uma povoação que conserva ainda melhor do que Faro as essências daquele Algarve simples e marinheiro, não massificado quanto a turismo, com um bulevar moderno em volta do qual se situam comércios de aspeto tradicional e que vai morrer no bairro dos pescadores, à beira do mar. Bairro aquele de becos e ruas estreitas, pensadas para pedestres, onde o branco e o negro dos azulejos destacam contra a cal dos edifícios. Há uma calma na cidade explicada pelo menor número de turistas: isto faz com que seja um dos melhores lugares para, realmente, mergulhar no “velho Algarve”. Consequência disto é uma oferta de alojamento menor que noutras cidades da região, mas quanto à oferta gastronómica não tem nada a invejar a outras: os snack-bar da Avenida da República ou os restaurantes do passeio marítimo onde são servidos os melhores peixes e mariscos da região são boa prova. E, ao final do dia, a alegria costuma reinar pelas esplanadas do passeio onde podemos compaginar a música e os refrigerantes.

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    A EN 2-6 conduz desde Olhão para o Norte, a caminho da nossa segunda paragem em Estoi. A estrada abandona agora o mar, e no nosso destino, podemos dar um passeio pela história local graças às impressionantes ruínas romanas de Milreu. Monumento Nacional desde 1910, as ruínas constituem um vestígio da época romana descoberto em 1877, uma antiga villa nobre romana do século I que não foi abandonada até o século X. O estado de conservação é surpreendente, especialmente no caso do templo paleocristão situado numa zona do complexo, que permite conhecer as primeiras cerimonias do credo então muito jovem no nosso país. Uma delícia para os apaixonados pela história mais antiga. E, se continuarmos viagem por Estoi, podemos conhecer o Palácio, um pastiche rococó do século XIX com uns relaxantes jardins de laranjeiras e palmeiras e um terraço inferior impressionante. Atualmente faz parte das Pousadas de Portugal, o que faz com que seja possível experimentar uma noite neste oásis algarvio.

    Pela estrada secundária que liga Estoi com São Brás de Alportel continuamos viagem. Nesta vila enfeitada com a vista próxima da serra de Monte Figo, podemos conhecer o seu conjunto de arquitetura tradicional, uma excecional beldade que parece detida no tempo. O Moinho do Bengado, o Jardim da Verbena e a Casa das Artes são outros locais que vale a pena serem conhecidos numa visita sossegada.

    Algarve Faro - Quilometrosquecontam

    A caminho de Faro

    Se pegarmos a estrada que desce até a Faro, percorreremos cerca de 16 quilómetros paralelos ao rio Seco, num momento de recolhimento ao volante aproveitando a calma e paz desta região algarvia. Não durará muito, pois depressa estaremos em Faro, a capital do Algarve. A nossa entrada será feita pelo Norte e poderemos contemplar, primeiramente, o teatro Lethes, antigamente um colégio da Companhia de Jesus, e hoje centro da Companhia de Teatro do Algarve. Em Faro destaca a zona comercial -que envolve o norte da cidade velha-, a cidade antiga e, evidentemente, a proximidade do parque natural. Tem uma vista excelente para o sapal e as pequenas ilhas onde quase todo o ano é possível contemplar todo tipo de aves que cá aninham.

    A zona pedestre da cidade serve para um passeio agradável que nos aproxima do centro amuralhado, vestígio das lutas contra os muçulmanos pela possessão da cidade no século XIII e posteriores. O coração da cidade é labiríntico e semeado de pequenas praças que enfeitiçam o caminho. O Largo da Sé, onde encontramos a Catedral do XIII-XVIII, é indubitavelmente a mais famosa delas. Perto está um dos locais mais impressionante -e assustadores- da cidade:a capela revestida de ossos humanos à moda da mais famosa Capela dos Ossos de Évora.

    O centro da cidade velha, se estiver com fome, alberga restaurantes com esplanadas que convidam especialmente a um almoço inesquecível pela sua calma.

    Por último, podemos finalizar a visita conhecendo o parque natural, mas não será possível empregarmos o carro para isso. Será preciso deslocarmo-nos de barco para chegarmos até à Ilha da Culatra e ao faro que ilumina o cabo de Santa Maria, o meridião português. A visita pode incluir as muitas ilhas e zonas de aves que se espalham pelo parque, sempre lembrando que aumentarão o custo total desta rota imperdível. No faro, com o olhar no mar, podemos sentir-nos como aqueles homens pioneiros, mas com uma vantagem: voltarmos a casa quando quisermos.

    Good Year Kilometros que cuentan