As sete ruas mais pitorescas de Lisboa

Conhece as sete ruas mais pitorescas de Lisboa? A lista só poderá pecar por curta. Tome nota das nossas pistas e aproveite para viajar ao passado na capital.

Lisboa só pode ser verdadeiramente conhecida através de um passeio pelos bairros históricos e pelas suas ruas pitorescas. Deixe de lado os autocarros panorâmicos e as visitas guiadas pelos monumentos mais emblemáticos. Conheça a cidade pelo seu próprio pé – até porque muitas das ruas referidas são apenas pedonais, muitas vezes escadinhas ou demasiado estreitas para veículos de grandes dimensões. Tome contacto com a verdadeira Lisboa.

Nesta altura do ano, a beleza das ruas é reforçada pelos arraiais dos Santos Populares pelo aroma a sardinha e bifana assada. Aproveite para recordar como sobreviver ao Santo António em Lisboa.

Calçada de Santana

Junto ao Miradouro do Torel, fica a Calçada de Santana. É uma rua estreita, íngreme, onde convivem casas de tipo popular e edifícios senhoriais. A rua atrai talento, pois aí terá falecido Luís Vaz de Camões e, bem perto, na Rua de Martim Vaz, terá nascido a fadista Amália Rodrigues. Para visitar nesta rua o destaque vai para a Igreja da Pena, decorada em talha dourada. O Miradouro do Torel tem uma vista desafogada sobre o vale da Avenida da Liberdade e a colina de São Roque. Aprecie aqui o jardim de São Pedro de Alcântara. É possível apreciar os sucessivos patamares da Calçada de Santana e, de um modo geral, a zona Ocidental da cidade.

Rua da Bica de Duarte Belo

A íngreme Rua da Bica de Duarte Belo liga a Travessa do Cabral ao Largo do Calhariz. O ex libris do local: o elevador da bica. O nome da rua evoca Duarte Belo um armador e negociante da Lisboa Quinhentista, proprietário da Bica dos Olhos que curava maleitas dos olhos. O Sítio da Bica, na vertente das encostas entre Santa Catarina e as Chagas, foi cavado por efeito de um desmoronamento de terras restrito ao local, em 22 de Julho de 1597, e que se repetiu 25 anos mais tarde, explica este blogue sobre a toponímia de Lisboa.

As escadinhas desta rua terão sido construídas em 1597, sendo que o bairro terá sido pouco afetado pelo terramoto de 1755. Ao longo da rua, pontilhada de edifícios coloridos aproveite para se refrescar num dos bares que ali existem.

Calçada do Duque

A Calçada do Duque começa na Calçada do Carmo e termina no Largo Trindade Coelho. Foi assim chamada em hora do Duque do Cadaval que tinha o seu Palácio ali por perto. Nas imediações desta rua tem a oportunidade de visitar a Igreja de São Roque, o antigo Palácio de Niza ou a Estação ferroviária do Rossio. Além disso, ao longo da mesma tem uma vista privilegiada do Castelo de São Jorge num dos vários restaurantes disponíveis.

Mas, atenção aos detalhes. Na rua, uma muralha Fernandina confunde-se com a Rua. Esta muralha foi recuperada após o Terramoto de 1755, altura em que foram construídas moradias para substituir ruínas e barracas resultantes do desastre natural. Posteriormente, em meados do século XIX a calçada foi suavizada por escadas, sendo desde então chamada, como resultado, também de “Escadinhas do Duque”

Rua dos Remédios

Vamos viajar a pé, por ruas pitorescas de Lisboa a caminho da Foz do Tejo. O primeiro local escolhido é a Rua dos Remédios. Ganhou o nome em 1859 (antiga rua das Portas da Cruz). A designação deve-se à ermida de Nossa Senhora dos Remédios, edificada na primeira metade do século XVI. Foi uma das ruas pouco afectadas pelo terramoto de 1755, pelo que ainda é possível ver vários portais manuelinos. Pode ver exemplos na Capela dos Remédios ou junto à Calçadinha de Santo Estêvão. Na rua podem também ser observados painéis de azulejos nas fachadas, igualmente anteriores ao terramoto.

Todavia, a Rua foi recentemente alvo de um projecto de requalificação que deu mais espaço para os peões, retirando estacionamento. Beneficiados ficaram todos os que procuram petiscos e casas de fado.  Rua foi devolvida às pessoas e é agora mais ampla, com passeios mais seguros e confortáveis.

 Rua do Vale

Entre o Bairro Alto e São Bento, fica a Rua do Vale. É a fronteira entre os dois bairros e distingue-se pelos seus vasos de flores, painéis de azulejos e estendais. Era nesta rua que o falecido Júlio Pomar trabalhava e onde se localiza o museu com o seu nome. No fundo da Rua, está a Igreja das Mercês, também conhecida por Igreja de Jesus. Aproveite, além disso, para recordar os passeios literários em Lisboa.

Travessa da Arrochela

Bem perto da Rua do Vale, fica a Travessa da Arrochela, mais um arruamento íngreme, substituído por escadinhas. Nesta rua, de onde se vislumbra o Palácio de São Bento, o desafio são efectivamente as escadas. Aproveite as pausas para observar o edificado colorido e coberto de azulejos. Ademais, visite a Igreja das Mercês e a Rua do Vale.

Rua Vieira Portuense

Em conclusão, já junto à foz do Rio, a Rua Vieira Portuense, em Belém. Foi construída originalmente junto à antiga praia e os edifícios datam dos séculos XVI e XVII. A cidade conquistou terreno ao rio e de um lado desta pitoresca rua vêem-se casas coloridas, com a traça características antes do terramoto. Muitas destes edifícios foram restaurados e albergam hoje restaurantes com grandes esplanadas.

Perto do Mosteiro dos Jerónimos e paralela à rua dos famosos Pastéis de Belém, é outra rua em que a cor domina nas construções. Entretanto, Do outro lado do caminho, estão os jardins de Belém.

Poderiam ter sido outras bem diferentes, mas esta foi aquela que considerámos obrigatória. E para si? Quais são as ruas mais pitorescas de Lisboa?