Fim de semana na casa do guarda da Serra da Cabreira

Venha passar um fim de semana numa antiga casa de vigilância florestal na Serra da Cabreira e descubra o que ver, visitar e comer nesta zona do Minho.

Familiar próximo do grupo que compõe o Parque da Peneda-Gerês, a Serra da Cabreira fica muitas vezes esquecida. Mas, no eixo entre Cabeceiras de Basto e Vieira do Minho a sua presença é inegável e marcante. Ex-libris da região, tem uma beleza paisagística e uma biodiversidade assinaláveis. Em nada fica a perder para os encantos das serras mais a norte, com a vantagem de ser mais inexplorada. Venha connosco até ao baixo Minho, descobrir o que ver, onde ficar e o que comer na Serra da Cabreira.

O que ver e visitar na Serra da Cabreira

É no granito e na altura que a Cabreira primeiro nos impressiona. Nasce aqui o rio Ave que se torna assim parte da transição entre o Minho e Trás-os-Montes, com o Cávado e o Tâmega como companhias. O ponto mais alto é o Talefe, a 1262m, onde podemos espreitar a paisagem das encostas, aldeias e albufeiras circundantes.

Atreva-se a largar o carro e a fazer um dos percursos indicados a pé ou de bicicleta. A Grande Rota de Fojos, por exemplo, começa e termina no Parque de Campismo da Cabreira. Por esta via, podemos visitar testemunhos do presente e do passado, ver a paisagem natural e a humanizada. Por aqui, atravessamos a luxuriante vegetação das encostas, que contrasta com os brutos blocos de granito nas escarpas. O Posto de Turismo de Vieira do Minho disponibiliza mapas e folhas de orientação com todos os trilhos da serra.

Durante estes passeios pela serra poderemos encontrar algumas espécies já raras e com estatuto protegido. É o caso de anfíbios como a salamandra-lusitana, o tritão-de-ventre-laranja e o tritão-palmado. Nas aves conta-se o tartaranhão-caçador e o melro-d’água. O dom Fafe e a felosa-das-figueiras são ainda duas espécies cujo valor patrimonial é elevado devido à sua raridade. A toupeira de água, o lobo, a lontra e o gato bravo fecham a lista. O clima da Serra da Cabreira, com influência do clima mediterrâneo, permite ainda 256 espécies de plantas, com 43 a ser de particular interesse para a conservação do património.

Desde a alvorada dos tempos…

A ocupação da Serra da Cabreira é antiga e remonta à Pré-História. Encontram-se vestígios de abrigos, sepulturas megalíticas e gravuras rupestres a recordar este passado. Mais tardios, mas de datação incerta, os Fojos de Lobo eram as armadilhas que os serranos usavam contra este e outros animais perigosos. Há vestígios de 4: Alagôa, Fojo Grande, Fojo do Meio e Fojo Novo. Ao lado, as cabanas são construções modestas, onde habitavam os pastores.

Fim de semana na casa do guarda da Serra da Cabreira

A presença humana aqui está sujeita aos rigores da serrania, mas manteve-se forte por todas as encostas. Terras como Buco, Busteliberne ou Campos não aparecem nas listas das mais Belas Aldeias Portuguesas, mas apresentam charme muito próprio. Espalhados pelos concelhos de Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto, estes povoados são o património e testemunho vivo do país serrano. Para que não se perca pela Cabreira, espreite antes esta lista de 23 aldeias pitorescas.

Onde ficar e o que comer na Serra da Cabreira

A autarquia de Cabeceiras de Basto recuperou e colocou à disposição do público um conjunto de casas florestais, solução perfeita para passar aqui uns dias. Eram edifícios ligados à vigilância, mas estão agora prontas para quem queira também apreciar a floresta. Há várias tipologias, da casa para uma família até camaratas para grupos, e ficam exactamente no “centro da ação”, nos locais ideais para partir para um passeio.

Em relação à gastronomia local, as especialidades são a carne de vitela, os enchidos, o bacalhau com batatas a murro, os rojões à moda do Minho e as papas de sarrabulho, sem deixar de salientar os vinhos verdes da região. Importa mencionar ainda os produtos de qualidade, certificados, como sejam, as carnes “Barrosã” e “Maronês”, o cabrito das “Terras Altas do Minho”, a “Broa”, o “Fumeiro”, o “Mel de Basto”, os “Vinhos de Basto” e outros.