Alentejo no top 10 dos destinos do enoturismo

Entusiastas do vinho metem Alentejo no seu top 10 do enoturismo. As terras, restaurantes, adegas e herdades que fazem a fama do vinho alentejano

O Alentejo está em grande na imprensa internacional: este mês aparece como uma das 52 propostas que a Lonely Planet considera imprescindíveis em 2016 e a Wine Enthusiast, reputada revista para enólogos e “curiosos” do vinho, considera a região um dos 10 melhores destinos quando o tema é este precioso néctar. Se a distinção nos enche de orgulho, a verdade é que, para nós, nada disto é novidade. Então vamos lá a ver o que os “gringos” destacam como os mais importantes locais para se conhecer a “arte” do vinho alentejano.

 

Um guia para os melhores vinhos nacionais

Antes de mais, a Wine Enthusiast apaixonou-se pela atitude “rústica” e “relaxada” do Alentejo, os mesmos motivos que nos continuam a levar à região, ano após ano, e que são elementos determinantes no espírito de muitos dos vinhos aqui produzidos. A paisagem, das praias desertas, às extensa planícies do interior, oferecem “algo para toda a gente”, afirma o jornalista Roger Voss, especialista com mais de 25 anos de experiência em vinhos portugueses, austríacos e franceses.

Os vinhos escolhidos pela Wine Enthusiast são poucos mas de selecção inatacável: é impossível não se colocar o Convento da Cartuxa e o seu Pêra-Manca no topo de qualquer lista. João Portugal Ramos, que ainda recentemente tivemos oportunidade de referir a propósito da nossa passagem por Vila Santa é citado pela sua capacidade de produzir “vinhos agradáveis e acessíveis”.

No Alto Alentejo, o destaque foi para a Herdade do Mouchão, em Portalegre, que ainda hoje inclui os lagares de pedra abertos como um dos “segredos” da qualidade dos seus vinhos. Mais a sul, em Beja, o Olho de Mocho e o Vale da Mata da Herdade do Rocim, e na Vidigueira a produção da herdade de Corte de Cima, tiveram também direito a uma referência especial.

Os editores da revista comentam ainda a introdução de novas castas na produção local, nomeadamente a Alicante Bouschet, que encontra neste clima quente e solarengo o habitat ideal para produzir vinhos encorpados e fortes. Em contraponto, uvas de vinho branco como Fernão Pires e Antão Vaz também encontram no Alentejo pequenos microclimas onde podem desenvolver características mais delicadas.

Alentejo paisagem - Quilometrosquecontam

 A mesa alentejana

É bom saber que não somos os únicos a apreciar a simplicidade a que a cozinha alentejana já nos habituou e que as “tasquinhas” que gostamos de visitar nas terras planas são também apreciadas no estrangeiro. Já vos convidámos para uma visita à Herdade do Esporão com a promessa que, para além de um passeio fantástico pelas vinhas, o almoço estaria ao mesmo nível. Infelizmente, ainda não tivémos oportunidade de vos falar do Cadeia Quinhentista, em Estremoz, mas já lá jantámos e garantimos que o destaque é merecido, e este restaurante com traços medievais é visita obrigatória para se conhecer a gastronomia regional. Em Évora, Roger Voss destaca a Tasquinha do Oliveira e ficou visivelmente impressionado com a qualidade dos petiscos e entradas que ali se servem.

Para pernoitar, o M´ar De Ar e o Convento do Espinheiro, em Évora, e a Herdade da Malhadinha Nova, em Albernoa, foram os locais escolhidos. Já tivemos oportunidade de ficar neste último e não poderíamos estar mais de acordo com a recomendação: tivemos aqui alguns dos amanheceres mais perfeitos que já vivenciamos em terras alentejanas.

Mas o Alentejo ainda guarda mais. Se não bastasse o vinho, a gastronomia, o clima, as cores e as gentes, a Wine Enthusiast ainda reparou em algo que, também nós, não nos cansamos de apontar: o Alqueva é um dos locais mais escuros de toda a Europa e é um destino de eleição para quem quer apreciar a magia do céu nocturno. Nesta região, o encanto não acaba quando o Sol se põe e a noite é tão bela quanto os seus dias.