Do Sabugal ao Douro, venha conhecer o Vale do Côa

Do Sabugal ao Douro, venha ver as fantásticas paisagens do Côa. Saiba o que visitar e provar na companhia de um dos mais belos rios portugueses.

Desde a Serra das Mesas até abraçar o Douro, o Vale do Côa atravessa algumas das mais memoráveis paisagens nacionais. O rio lança-se encosta abaixo no Sabugal e, mesmo em ritmo lânguido, termina de forma épica em Vila Nova. Segue em paralelo à fronteira e aproxima-se de povoações como Almeida, tornando-se parte da História da região e do país. Aceite as nossas sugestões de pontos a não perder no Vale do Côa e aproveite o bom tempo para descobrir a raia.

    Sabugal

    Fóios

    O Côa nasce na Serra das Mesas, a que chegamos depois de passar os Fóios. Pela estrada cruzamo-nos com uma bonita paisagem onde, aqui e ali, vemos os rebanhos a pastar. A mais de 1000 metros de altitude, depois dos abetos e carvalhos, encontramos a placa que assinala a nascente. Estes penedos e serranias fazem parte da mesma estrutura da Malcata e ligam-na à Serra da Gata, já em Espanha.

    Alfaiates

    A cerca de uma dezena de quilómetros do Sabugal, Alfaiates fica numa encosta virada a poente. A ribeira com o nome da terra corre cá em baixo, no sopé da inclinação. O Castelo aqui construído já foi conhecido como Castillo de la Luna e participou nos conflitos fronteiriços com Leão. Hoje em dia, é um excelente ponto elevado para olharmos para o Côa e Ribacôa.

    Malhada Sorda

    Com as suas casas com pátios lajeados, alpendres e escadas exteriores, a Malhada Sorda é um antigo centro oleiro. Já houve uma altura em que a louça vermelha aqui produzida podia ser encontrada um pouco por toda a raia. Importante é também a tradição judaica, que conta mais de 38 casas recenseadas na Judiaria local. Recentemente recuperada, a Esnoga era uma sinagoga pequena e secreta que aqui terá existido e é agora um centro museológico.

    Castelo Bom

    Prosseguindo caminho na direcção de Almeida, Castelo Bom tem um silêncio e um ambiente pacífico merecedor da nossa atenção. A terra não tem muita actividade e o seu antigo castelo não é agora mais do que algumas ruínas. Contudo, do alto do monte onde se ergueu, a vista é fantástica e um complemento perfeito para este panorama bucólico.

    Castelo Mendo

    Uma das Aldeias Históricas oficiais, Castelo Mendo ainda se mostra com orgulho. Tem ainda as muralhas e a porta ogival flanqueada por duas torres a recordar-nos a participação nos combates da Restauração. Sobrevivem também alguns edifícios dos séculos XV e XVI e uma bela igreja paroquial. Parte da fortaleza, contudo, foi destruída durante o terramoto de 1755, já depois de cumprir um importante papel na luta contra Castela e Leão, na defesa da região de Ribacôa. Vale a pena uma visita à Rua do Forno, para calcorrear a calçada medieval e ver as fachadas quinhentistas.

    Almeida

    É dentro da fortaleza na forma de estrela de 12 pontas que encontramos Almeida, um exemplar das “Fortalezas de Vauban”. É um polígono hexagonal com os lados continuados para o exterior por baluartes, cercado em volta por um fosso. Impressionante à distância, seduz-nos com o estado de conservação e pela forma como a vila cresceu dentro da construção militar. Hoje em dia vale a pena a visita ao Museu Militar, ao Palácio da Justiça, à Casa dos Governadores ou ao Picadeiro Real.

    Figueira da Castelo Rodrigo

    No sopé da Serra da Marofa, entre os vales do Côa e do Águeda, fica Figueira de Castelo Rodrigo, onde se produzem vinhos de grande qualidade desde o século XII. Os monges do Convento de Santa Maria de Aguiar iniciaram o trabalho na vinha há mais de oito séculos. Actualmente, mais de 1000 produtores contribuem para a Adega Cooperativa local, para uma produção anual de mais de 10 milhões de litros de vinho.

    Vila Nova de Foz Côa 

    A polémica à volta da proteção das pinturas rupestres aqui encontradas serviu pelo menos para um fim de inquestionável valor. Trouxe uma maior atenção para um local que é, a todos os títulos, um dos mais belos do nosso território. Do promontório onde nasceu o Museu do Côa a vista é de encher a alma e cortar a respiração. Dentro do edifício singular e imponente há exposições, conta-se a importância do património aqui presente, mas nada consegue explicar o impacto desta paisagem. Quando o Côa finalmente abraça o Douro e termina a sua viagem, fá-lo de forma surpreendente e inesquecível. É, se sombra de dúvida, uma das imagens que todos os portugueses deveriam desfrutar uma vez na vida. Pelo menos…

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